Rio Longá

Por Roseanny Carvalho
Foto: Luiz Netto

Um dos maiores rios do estado do Piauí, o Longá nasce na lagoa de mesmo nome, no município de Alto Longá. Sua extensão é de cerca de 320 km e sua bacia situa-se na porção norte do estado. Constitui-se um dos principais afluentes do rio Parnaíba e sua drenagem é composta por rios e riachos de caráter intermitente, com destaque para o Matos, o Surubim, o Jenipapo, entre outros. Em toda extensão do Longá predomina a vegetação de transição entre cerrado e caatinga, os dois biomas predominantes no Piauí.

A bacia do Longá, uma sub-bacia do Parnaíba, apresenta 22.900 quilômetros quadrados, cerca de 6,67% da área da bacia do Parnaíba, o maior rio inteiramente localizado no Nordeste. A capacidade hídrica da bacia do Longá, datada de 1996, é de 5,4 bilhões de metros cúbicos, o que atesta a relevância que a agricultura irrigada teve para o desenvolvimento da região banhada pelo leito do rio e seus afluentes.

Convém salientar que no Rio Longá situa-se a Cachoeira do Urubu, localizada entre os municípios de Esperantina e Batalha, coração do Parque Ecológico batizado com o mesmo nome*, formado por dois grande grupos rochosos que dividem o curso do rio em duas aberturas, originando cascatas naturais com três quedas de água chegando a medir 13,4m de altura.

12314342_10205573717724604_7336598278378557430_o

A Cachoeira do Urubu é uma das atrações do rio Longá.

Na região norte do estado do Piauí, a bacia hidrográfica do rio Longá teve uma grande importância para o povoamento setentrional do estado. Inicialmente esse povoamento concretizou-se com a criação de vilas com o propósito principal de realizar a atividade pecuária e o extrativismo de madeira, palha, carnaúba, babaçu, entre outros. Dentre os municípios fundados e desenvolvidos a partir do Longá, destacam-se Campo Maior, Barras, Buriti dos Lopes, Batalha, Esperantina, entre outros.

Atualmente, algumas atividades econômicas históricas como a extração de produtos da carnaúba, continuam com relevância ao longo dos municípios da bacia do Longá, com alguns municípios, como Campo Maior, superando a casa das mil toneladas anuais. Destaca-se a diversa utilização da palha de carnaúba, utilizada para adubos, artesanatos e decoração.

O babaçu e a madeira também estão entre as principais atividades econômicas, sendo esta última a requerer maiores atenções das autoridades, por ser responsável por muitos dos focos de desmatamento locais. Dados de 2007 apontam que só do pequeno município de Batalha, mais de 21 mil metros cúbicos de lenha foram retirados da bacia do rio, número similar a Alto Longá, os recordistas neste tipo de coleta, sendo mais preocupante os números neste último, por ser onde se localiza a nascente do Longá.

Grande parte da madeira é destinada ao uso de lenha industrial para fornos de padarias, cerâmicas, entre outros. Hoje continua a somar-se ao extrativismo, a pecuária como importante atividade econômica, especialmente bovinos, suínos, caprinos e ovinos, com cidades como Campo Maior superando as 100 mil cabeças no plantel municipal, o que traz consigo a natural pressão que o agronegócio impõe às unidades de conservação.

Por fim, graças principalmente ao Parque Ecológico da Cachoeira do Urubu, o turismo é mais uma atividade econômica a ganhar impulso na região, especialmente em Batalha e Esperantina, cidades que integram a unidade de conservação.

* O Parque Ecológico da Cachoeira do Urubu estará no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.