Índios Warao

Mariusa-1

Por Mitsy Queiroz
Foto: Luiz Netto

Os índios Warao são o tema da próxima exposição da Panorama Cultural, em fotografias de Luiz Netto, fotógrafo de tantos projetos de nossa empresa. São provavelmente o grupo étnico mais antigo da Venezuela, habitando os canais do Delta do Orinoco, onde se localiza o Parque Nacional Mariusa*, há mais de 8000 anos.

As tribos em sua maioria habitam palafitas construídas em ilhas sedimentares alagáveis. As habitações muitas vezes são transitórias, migrando-se as casas ao longo do rio ao passo que os recursos em outras localidades se tornam mais fartos.

Um censo do governo venezuelano realizado em 2001 indicou a existência de mais de 36 mil índios Warao, destes mais de 28 mil declararam comunicar-se no idioma nativo da etnia.

Índios Warao são exímios pescadores, conhecedores natos das riquezas que podem ser extraídas das águas do delta, apesar de dedicarem-se em menor escala à caça e à coleta de frutos silvestres e mel.

Esta característica pescadora está intimamente ligada à cultura nômade, com migrações populacionais muitas vezes atreladas às estações de pesca.

Socialmente as tribos são patriarcais, cabendo à mãe o trabalho de cuidar das crianças. O casamento Warao sela a obrigação do marido de passar a cuidar também da família de sua esposa.

Hoje os mais jovens já começam a trabalhar em atividades não-tradicionais, em detrimento às atividades agrícolas e de subsistência, entretanto os índios representam um raro caso em que uma etnia conseguiu preservar seus principais traços culturais ao longo dos séculos, mesmo estreitando os contatos com o homem branco e com a cultura crioula.

As tradicionais comunidades warao são compostas por inúmeras palafitas, conhecidas no idioma local como Hanoko,  muitas vezes interligadas por pontes de madeira que interconectam algumas dezenas de casas. Comumente cada casa de um núcleo costuma ter seu acesso próprio acesso ao rio.

Uma característica marcante das casas dos Warao é que elas raramente possuem paredes e o telhado é quase sempre feito de palhas de palmeira, árvore que também fornece a madeira para as estruturas das palafitas e passarelas.

Em termos de religião, os índios acreditam que um mundo sobrenatural, conhecido como Hobachi, encontra-se interligado ao mundo físico, o habitado pelos índios. O Hobachi é ocupado por espíritos conhecidos como Hebu, que podem influenciar diretamente a vida dos humanos, seja afetando suas atitiudes (violência, alegria, sofrimento), seja controlando as forças da natureza, como as águas, o clima, as florestas, entre outros.

Hoje há um esforço do governo venezuelano em evitar o êxodo dos índios para os núcleos urbanos e o abandono desta cultura milenar. Várias escolas comunitárias têm recebido notebooks com sistemas operacionais traduzidos para o idioma warao, numa bela iniciativa de inclusão digital.

As últimas décadas vêm trazendo aos Warao também uma nova realidade, com os recursos do turismo na região, já começam a surgir várias hospedarias que vão de pequenas pousadas indígenas a alguns grandes hotéis de selva, que findaram por movimentar de forma mais intensa o artesanato, a culinária e arte Warao em geral.