Petrolândia

Por Jaque Pinheiro
Fotos: Luiz Netto

De todas as cidades hoje submersas e documentadas no projeto São Francisco Submerso, Petrolândia talvez seja o caso mais icônico, tanto do ponto de vista de patrimônio histórico, quanto do ponto de vista econômico.

Com sua colonização iniciada no século XVIII, com a fundação das fazendas Brejinho da Serra e Brejinho de Fora, foi ao redor de um grande jatobá (onde também havia um bebedouro pra gado) que surgiu o primeiro grupamento urbano, chamado, não por acaso, de Bebedouro de Jatobá.

Até o final do século seguinte, o acontecimento de maior relevância no pequeno povoado do sertão pernambucano, décadas depois emancipada à condição de município, foi a visita do imperador Dom Pedro II, que ordenara a construção de um cais e de uma ferrovia para integrar economicamente as cidades que margeavam o leito natural do Rio São Francisco.

Petrolândia seria apenas mais pacata cidade sertaneja se a Chesf não iniciasse a construção da Usina Hidroelétrica Luiz Gonzaga na década de 1980.

A obra causou uma verdadeira ”tsunami social” no município, que se viu forçado a ter sua sede deslocada em alguns quilômetros para fugir do Lago que teimava em subir e engolir povoados, distritos e o centro da antiga cidade.

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Os bagres estão entre os novos moradores da antiga cidade.

 O antigo centro, com poucas ruas pavimentadas, hoje guarda o maior agrupamento de ruínas encontradas no projeto, sendo possível rapidamente encontrar grandes construções, como o açougue público e inúmeras casas, a maioria delas apenas o alicerce, uma vez que os moradores aproveitaram tijolos e telhas das antigas casas nas novas construções.

Não muito difícil também encontrar calçamentos em paralelepípedo e antigos encanamentos, além de diversas árvores, estas, apesar de mortas, ainda de pé, resistindo bravamente à ação do tempo.

Do ponto de vista de patrimônio histórico, Petrolândia Velha é a “meca” do Lago de Itaparica, não só pelas ruínas de seu centro, como também pelas grandes construções bem preservadas e intactas de seus distritos rurais, onde destacam-se o prédio do Charqueado, com seus dois andares ainda de pé, e a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no Distrito de Barreiras, parcialmente submersa e que hoje termina sendo aproveitada como atracadouro para os barcos que circulam pela região.

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Igreja do Sagrado Coração de Jesus.

Do ponto de vista econômico, a Usina terminou trazendo benefícios duradouros à nova cidade. Mesmo mantendo o caráter intimista que toda cidade de 40 mil habitantes possui, o município passou a ter o sexto maior PIB de Pernambuco e o quarto maior PIB per capita do Estado, destacando-se dentre seus setores econômicos, a própria Usina Luiz Gonzaga, fonte de renda direta e indireta para muitos de seus moradores, o comércio, a agropecuária e o crescente turismo que ocupa um lugar cada vez de mais destaque na economia local.

No caso específico da agropecuária, o lago juntamente com os recursos que começaram a migrar para cidade, impulsionou diversos cultivos e projetos de irrigação, com destaque para a coconicultura. Hoje a cidade goza de um maior número de ruas asfaltadas e saneadas, além de uma melhor rede de saúde e educação e uma destacada orla, com praias e bons restaurantes.