Marguerite Duras

postado em Panorama Teatro

Por Fred França

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Marguerite Donnadieu nasceu na Indochina, atual território do Vietnam, na cidade de Saigon, filha de imigrantes franceses que foram ao país asiático a trabalho. A morte prematura de seu pai, quando Margerite tinha apenas 4 anos de idade, fez a mãe, uma professora, passar por diversos problemas financeiros pra educar os três filhos começando ainda nas dificuldades da adolescência destes, a moldar o perfil da futura escritora, que em várias obras fará menções tanto à sua vida, quanto aos lugares da Ásia onde viveu e conheceu, com destaque para o relacionamento com um homem chinês rico, quando ainda menor de idade, que será revisitado em O Amante da China do Norte, um de seus clássicos.

Marguerite foi à França aos 17 anos para estudar direito e ciências políticas na Universidade de Sorbonne, onde formou-se em 1935. Logo em seguida começaria a viver as dificuldades da segunda guerra. Casa com o poeta Robert Antelme que é deportado com a guerra. A futura escritora se alista tanto na Resistência Francesa, quanto no Partido Comunista, o qual seria expulsa já na década de 50 por divergências ideológicas. Na década de 40 também casa-se com Dinonys Mascolo, mas seus dois primeiros casamentos serão ofuscados em sua biografia pelo romance com o escritor Yann Andrea, um antigo “admirador secreto”, 38 anos mais jovem, já na década de 80.

Poucos anos depois da guerra começaria sua carreira literária, utilizando o sobrenome Duras, em homenagem a uma vila próxima a uma antiga propriedade de seu falecido pai. Suas primeiras obras foram Os Imprudentes (1943) e A Vida Tranquila (1944). Já o primeiro livro de maior impacto veio em 1950, Uma barragem contra o pacífico, livro quase que autobiográfico que conta as dificuldades de uma imigrante viúva e de seu filho no continente asiático, obra esta que a deixou próxima de vencer o tradicional Prêmio Goncourt, o mais importante da literatura francesa.

Com perfil literário duro e denso, Duras ficou imortalizada pela sua maneira de abordar a condição humana, tendo escrito sobre vida e morte, sobre relações sexuais e outros tabus para sua época, sempre com um estilo de angústia e desespero que marcou sua literatura. Navegou basicamente por três grandes temas, todos, de certa forma, ligados à sua própria biografia: as relações familiares, a impossibilidade de concretização de amores e o questionamento introspectivo da solidão individual.

Versátil, a escritora deixou em seu legado peças de teatro, roteiros de cinema, contos, e romances existencialistas, onde teve maior popularidade internacional, apesar de ter sido bem acolhida pela crítica em todos os segmentos. Se transformou numa das escritoras francesas de maior impacto na literatura contemporânea.

Sua obra no cinema começou a se desenhar ao escrever o roteiro do clássico Hiroshima meu amor (1959), do premiado cineasta francês Alain Resnais, um dos destaques do movimento nouvelle vague. Em seguida, na década de 70, Duras assumiu ela mesma a direção do filme India Song, bem recebido pela crítica.

O Prêmio Goncourt que batera na trave na década 50, finalmente seria seu 30 anos depois, com o clássico O Amante, vencedor em 1984. O livro seria transcrito para o cinema pelas mãos do diretor Jean-Jacques Annaud em 1992.

Duras faleceu em 1996, aos 81 anos em Paris, vítima de um câncer da garganta, acompanhada de Yann Andrea que apesar da conturbada relação esteve ao lado da escritora até o leito de morte.

Um dia após sua morte, escreve o jornalista Bertrand Pirot-Delpech no jornal Le Monde: “Quando esse pequeno pedaço de gente com grandes óculos e voz de final de comício participa da resistência ou faz política, quando acredita no comunismo depois o execra, ela o faz com as suas entranhas, sem moderação, sem prudência”, resumindo assim em algumas palavras o que foi a vida de Marguerite Duras.

A escritora está sepultada no cemitério de Montparnass. Seu túmulo está marcado apenas por suas iniciais “MD”.