Terra Indígena Pipipã

Por Karina Morais
Foto: Luiz Netto

Os Pipipãs são um grupo indígena, durante muito tempo considerado extinto, aldeado entre a Serra do Periquito e a Serra Negra, ambas no estado brasileiro de Pernambuco, no início do século XIX.

Entre os Pipipãs, já no século XXI, tanto o seu território quanto a composição das aldeias estão em processo de definição decorrente do fato de separarem-se dos Kambiwá e estabelecerem-se dentro do território demarcado como área indígena daquele povo. Fala-se, entre os Pipipã , da existência de cinco aldeias.

A Aldeia Travessão do Ouro está situada próxima à Serra do Periquito, no km 29 da BR-360 em Floresta. Nessa aldeia há uma escola, um posto de saúde e duas associações: Pau Ferro Grande dos Índios a Associação de Mães, e dois terreiros ativos. Sua população é de aproximadamente 324 pessoas e um total de 72 famílias.

Capoeira do Barro é uma aldeia onde viviam não-índios dentro de um projeto de assentamento do INCRA, com duas fileiras de casas frente a frente; um grande pátio ao centro, em que se realiza a Dança do Toré; essa área foi recentemente ocupada pelos Pipipã. Na aldeia, ficou morando o cacique mais um de grupo de índios vindos das aldeias Travessão do Ouro, Faveleira e Serra Negra, dentro do território demarcado como área Kambiwá, e auto-demarcado como território tradicional dos Pipipã.

Na Aldeia Faveleira convivem índios e não-índios e há muitos posseiros dentro da área. É nessa aldeia que está instalado o Sistema de Abastecimento de Água que distribui para o Travessão e Capoeira do Barro; nela também funciona uma escola, uma creche e recentemente um posto de saúde.

A Aldeia Serra Negra está em processo de esvaziamento, sendo ocupada temporariamente durante o ritual do Aricuri. Situada nas proximidades da serra de mesmo nome, reúne aproximadamente treze famílias, totalizando 67 pessoas. A Aldeia fica dentro da Reserva Biológica Serra Negra*.

10375128_10202632184508112_7902965415996470003_n

Crianças Pipipã hoje podem brincar livremente na Terra Indígena, após mais de um século de confrontos rurais.

A Aldeia Caraíba fica situada próxima à Serra do Taiado e ao Serrote do Tamanduá. É a única aldeia que se define Pipipã fora do território dos Kambiwá. A terra não é demarcada nem reconhecida oficialmente como área indígena. Seus moradores possuem título de propriedade. Nela existem quinze casas dispersas pela caatinga, com 19 famílias um total de 100 pessoas.

Há três outras localidades com membros da etnia tais como: Jaburu, com quatro casas dispersa; em Lagoa Rasa encontramos três casas; no lugar chamado Vassoura há mais três casas e por fim a Caraíbas lugar de maior concentração, mas sem  aglomeração de casas. 

Hoje os Pipipã se afirmam em 2.050 índios espalhados na ribeira do Pajeú, entretanto, os dados atuais da Funasa registram uma população de 1.312 índios.

Dados sobre a população Pipipã têm sido sempre imprecisos como entre a maioria dos povos indígenas. Não foram computados os dados populacionais de Capoeira do Barro depois dos deslocamentos de famílias para aquela aldeia. Atualmente os seus descendentes reivindicam a demarcação da área da Serra Negra como Pipipã de Kambixuru. 

A calmaria atual, contrasta com a dura luta que tanto os índios Pipipã, quanto os Kambiwás, outra etnia que vive nos arredores de Serra Negra, tiveram que travar contra os produtores rurais da região desde o final do século XIX.

*A REBIO Serra Negra está no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.