A despedida da Chapada do Araripe

O tour pelo Araripe cearense ruma ao fim, nossa última parada foi no município de Missão Velha, no Monumento Natural Cachoeira do Rio Batateira. Apesar de estar no sertão e durante um período de estiagem, não tive dificuldades de encontrar um bom volume de água no rio, que inclusive corta outras unidades de conservação do projeto, as quais passamos ao longo de nossa estadia, como no Parque Estadual do Sítio Fundão e a própria APA da Chapada do Araripe, dona de outras tantas cachoeiras.

Monumento Natural Cachoeiras do Rio Batateiras-86

Há várias quedas d’água próximas a rodovia de acesso.

As ciadades do Araripe são cativantes, desde os grandes centros urbanos da região, como Juazeiro do Norte e o Crato, esta última na qual nutro grande paixão e onde sempre me hospedo quando venho às bandas do Araripe cearense. Neste último tour de Expedição Ceará na região, já havia me encantado por Barbalha e seus balneários rodeados de verde. Agora foi a vez de me encantar por Missão Velha.

A cidade é bem pequena, estrutura simples, mas um povo extremamente acolhedor, que não mediu esforços em nos ajudar. Pessoas que claramente tinham prazer em nos mostrar as belezas de seu município, desde o morador comum que nos via casualmente fotografando o rio batateiras a partir da margem da BR, ao pescador que fora involuntariamente importunado com a nossa chegada repentina.

 

Em Missão Velha a água dar o tom. As grandes cachoeiras dão o tom. Mais um vez, a unidade protege também um geossítio, batizado de Geossítio Cachoeira de Missão Velha, nome dado por motivos óbvios.

As mais imponentes quedas d´água estão logo nas margens da rodovia que cruza a cidade. Um estacionamento improvisado em cimas das rochas delimitado por cordas dão o tom de até onde podemos ir. A partir daí é preciso tomar algum cuidado, especialmente se desejar aquela foto mais “afoita”. A correnteza é forte e há muitas valas entre uma pedra e outra.

As cachoeiras são o grande destaque e estão logo na entrada da unidade de conservação, porém há uma bela trilha percorrendo este igualmente belo trecho do Batateiras, trilha esta com muito verde e árvores de grande porte. Estávamos no fim do período de estiagem, com o rio e as cachoeiras num nível mais baixo, mas findamos por ser agraciados com uma pancada de chuva na parte da manhã que nos deixou totalmente encharcados e atrapalhou um pouco algumas imagens, dado o tempo que a câmera teve que ficar escondida protegida da água.

Ao longo da trilha é possível encontrar um grande muro de pedras e uma casa feita de mesmo material, datada do século XVII e atribuída aos primeiros colonos da região que por ali chegaram vindos da Bahia e Alagoas. A fonte do Pinga é outro atrativo.

Monumento Natural Cachoeiras do Rio Batateiras-36

Muro de pedras.

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Casa de pedras do século XVII.

Há uma clara tentativa de atrelar estas unidades estaduais à história local, especialmente com a preservação destas construções antigas, algo louvável, mas, mais uma vez, durante toda nossa estadia, não cruzamos com um único funcionário da Secretaria Estadual de Meio Ambiente ou da Universidade Regional do Cariri, que é quem coordena a unidade.

O cenário de “abandono” não é tão sentido quanto o que presenciei no Sítio Cana Brava, em virtude especialmente da cobertura vegetação ser bastante interessante. As ruínas também se apresentavam com pouco mato, sinal que há pouco tempo alguém resolveu fazer o mínimo de manutenção. Sem dúvidas mais uma unidade que com o mínimo de investimento, pode retornar em muitos recursos financeiros para a comunidade do município.

A chuva forte que voltou a cair no segundo dia abreviou nossa estada em Missão Velha. A previsão de pancadas ainda mais fortes para os próximos dias me fez abreviar a viagem e optei por voltar a Recife um dia antes do previsto, já bem satisfeito com o resultado de todas as unidades do Mosaico do Araripe que me restava.

A EcoExpedições deixa o Araripe com alguns giga de fotos e muitos laços de amizade construídos, o que verdadeiramente importa. Ao longo de quase um ano, fizemos três visitas na região, cobrindo todo Mosaico, incluindo unidades de conservação particulares que não irão entrar no projeto.

Daqui, após um breve descanso em Recife, vamos seguir pras última etapa, desta vez nos igualmente belos mares cearenses. Até breve!

POSTADO POR LUIZ NETTO