A ocupação das Américas

Por Fred França
Fotos: Luiz Netto

A arqueóloga Niède Guidón vem em suas pesquisas mudando a maneira como o mundo pensa a ocupação das Américas, a teoria anteriormente aceita como dominante vem sofrendo o embate das novas descobertas na Serra da Capivara*, que apontam a presença humana na Serra da Capivara em datas anteriores à migração via Estreito de Bering, através de “pontes de terra” formadas no período da glaciação e que conectaram momentaneamente a Ásia à América do Norte entre 10.000 e 20.000 anos atrás.

As evidências locais encontradas pelas pesquisas do Piauí apontam a presença humana no sertão do estado há mais de 50.000 anos, e ainda não são amplamente aceitas pela comunidade científica, mas a cada nova pesquisa realizada na Serra da Capivara, mais luz se joga sobre a possibilidade da ocupação primeiramente ter ocorrido por via marítima, através de povos vindos da Polinésia e da África.

Niède defende que uma forte seca na África há cerca de 100 mil anos impulsionou o homem ao mar em busca de comida, num oceano que encontrava-se quase 150 metros abaixo dos níveis atuais e, por conseguinte, com uma grande gama de ilhas oceânicas à disposição para servir de “entreposto” à primeira viagem do homem primitivo africano rumo ao desconhecido. O pensamento da Dra. Niède corrobora com achados arqueológicos do Homo erectus, espécie primitiva de hominídeo hoje extinta, no México e na Indonésia, as quais indicam que a navegação oceânica é mais antiga do que se pensava.

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Muitos achados arqueológicos das pesquisas da Serra da Capivara podem ser vistos no Museu do Homem Americano em São Raimundo Nonato.

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As milhares de pinturas rupestres existentes na Serra da Capivara contam muito do modo de vida do homem primitivo brasileiro.

Independente da teoria dominante, o fato é que o homem da Serra da Capivara foi inovador do ponto de vista tecnológico, desenvolvendo técnicas modernas para a época na fabricação de instrumentos cortantes perfurantes, raspadores, entre outros. Também optou por viver em abrigos entre rochas e a entrada dos antepassados no clima semiárido e, por conseguinte, de maior exigência para a própria sobrevivência, forçou-os a entrar numa nova era cultural, que culminou no aparecimento de novas técnicas líticas, no surgimento da cerâmica, e no aparecimento dos primeiros povos agricultores, que já sepultavam os mortos em urnas rasas, entre outros avanços.

O homem primitivo da Serra da Capivara seguiu sua linha evolutiva e de desenvolvimento até a completa dizimação por parte dos colonizadores europeus.

* O Parque Nacional da Serra da Capivara estará no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.