A Prainha

Toda pré-produção das resex litorâneas para Expedição Ceará foi feita em conjunto, o Batoque e a Prainha do Canto Verde se completam, mesmo afastadas por uma faixa litorânea de aproximadamente 100 km, findam por proteger também todo o ecossistema entre ambas.

Nosso contato na Prainha foi novamente a Associação de Moradores local, tal qual aconteceu no Batoque, na figura do Lindomar, grande liderança local e que abriu as portas de sua casa para nossa equipe. Pedro, diretamente do Batoque, já havia nos dado boas dicas da Prainha, local que já estive fotografando em 2013.

Nestes 5 anos ausentes da RESEX pude verificar, assim que cheguei, uma grande mudança. O mar havia invadido boa parte da via litorânea e muitas casas também sofriam com o “assédio” do mar.

Lindomar me esperava no alpendre de sua bela casa, também à beira-mar, com a via tomada pelas areias brancas das dunas próximas. Junto com ele me esperavam o Neo, pescador local, e sua esposa, a Claire, inglesa que escolheu a Prainha como morada e constituiu família.  O Luan, filho dos dois, também foi de grande ajuda em toda essa jornada.

A Prainha foi a continuidade de uma viagem agradabilíssima. Depois dos belos dias ao lado de Pedro, Dani e Davi no Batoque, o sol cearense continuava a iluminar as amizades que cruzavam nossos caminhos.

Com Lindomar não havia conversado tanto previamente, como com o Pedro, mas nada que não resolvêssemos previamente em sua casa. Como de costume, levo exemplares de Expedição Pernambuco para presentear as pessoas que nos ajudam ao longo dos próximos volumes da EcoExpedições. Além de ajudar a “quebrar o gelo” dos novos parceiros do projeto, ajuda a fazê-los entender que tipo de fotos estamos a buscar na unidade de conservação que residem.

Reservas Extrativistas são locais que tenho grande admiração e interesse, conforme já conversei em outras postagens do blog. Em tese, são locais onde a relação do homem e a natureza são mais afloradas, obviamente no cenário ideal, esta relação seria perfeita, harmônica e profícua.

Infelizmente em muitos lugares esse mundo ideal fica longe de ser atingido, mas na Prainha havia uma consciência ambiental pulsante em muitas das lideranças, algo que já havíamos presenciado no Batoque. O ordenamento numa pesca responsável, com respeito às variantes biológicas que garantam populações futuras dos pescados, estava sempre em pauta em nossas conversas.

Existem duas associações de moradores no local, convivi apenas com a liderada pelo Lindomar, que além de apresentarem grande conhecimento da região, também demonstraram muita valentia ao elencar como enfrentam problemas modernos que a Prainha vem atravessando, especialmente a especulação imobiliária.

A estrutura comunitária é forte, há várias pousadas em casas de pescadores, trilhas bem delimitadas e mapeadas, além de um portal turístico, voltado para o turismo comunitário, o prainhadocantoverde.org.br.

Falando especialmente de nosso trabalho na região, Neo, Claire e Luan foram meus guias durante todos estes dias que lá estivemos. Rodamos bastantes, subimos de carro quase todas as dunas da região, algumas a pé também e vivenciamos muitos dos mais belos crepúsculos cearenses naqueles dias.

Na Prainha tem de tudo, as trilhas com mata de tabuleiro e até um pouco de Mata Atlântica são também belos atrativos. Não dá pra esperar esbarrar num exemplar da mastofauna local com facilidade, mas é onde conseguimos dar a real dimensão da relevância da RESEX, especialmente quando explicitamos a cobertura verde litorânea existente e protegida pela unidade.

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O crepúsculo do litoral cearense é sempre uma atração à parte.

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A lagosta é o pescado de maior valor extraído na Prainha do Canto Verde.

 

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Por vários dias tivemos relação próxima com os pescadores da Resex.

A RESEX aborda também uma grande área marinha, mas o mar bravio e turvo é um tanto impróprio para fotos subaquáticas, porém não tem como dissociar a vida dos pescadores da unidade de conservação em si. Gastamos boas horas fotografando os barcos que saíam e que chegavam na costa. Foram ricas conversas com os pescadores locais.

Por fim, gastamos bons tempos também em toda a área de influência da Prainha, numa parte do igualmente belo litoral cearense que fica entre dois polos turísticos, Morro Branco à Oeste e Canoa Quebrada à Leste.

Aliás, foi justamente na ida pelo litoral no trecho que separa a Prainha de Canoa que tivemos um dos maiores perrengues de toda EcoExpedições, nas imediações de Parajuru ficamos com mais de meia roda atolada no mangue e o carro “sentado” na lama. Foram quase três horas presos no atoleiro até que uma boa gama de novos amigos se juntou pra nos ajudar. Nesse dia especificamente, planejávamos fazer algumas fotos em Canoa Quebrada, o que se tornou impossível visto o horário que chegamos, perto das 20 horas e os compromissos que tínhamos no dia seguinte na Prainha.

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Ao menos pude rever alguns amigos, passar na Broadway, principal via turística de Canoa onde está um verdadeiro “arsenal” de bons restaurantes, sacar dinheiro, entre outras necessidades mais urbanas que vez ou outra precisamos tocar pra poder seguir no meio do mato nos dias que se seguem.

Por mais que goste de Canoa Quebrada, já estive lá em cerca de 10 oportunidades, nada substitui pra mim a vida nas comunidades litorâneas e nisso a Prainha era imbatível. Depois do jantar não pensava em outra coisa a não ser voltar pro Canto Verde e organizar as fotos do dia seguinte e assim fizemos.

O litoral cearense, ao menos o trecho de unidades de conservação, que irá compor o livro, se encerrou com a nossa hospedagem na Resex Prainha do Canto Verde, mais dias agradabilíssimos ao lado de mais gente do bem que se juntou nessa jornada.

Na nossa despedida, mais um belo banquete, com direito a uma iguaria local, a pizza de arraia!

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Pizza de arraia, uma das iguarias locais.

Daqui partindo pra nossa última parada, já no sertão, no caminho de volta para o Recife, na Estação Ecológica do Castanhão.

POSTADO POR LUIZ NETTO