A produção de gesso no Araripe

Por Karina Morais e Fred França
Foto: Luiz Netto

A maior das APA’s nordestinas, a da Chapada do Araripe*, abraça um extensa massa territorial dos sertões do Ceará e Pernambuco, mas também pequenos municípios do sul do Piauí. Seu clima é o semi-árido e a vegetação é predominantemente de xerófilas. 

Dentre diversas atividades econômicas, destaca-se na região o setor da mineração, especialmente a produção de gesso no lado pernambucano da unidade de preservação. O pólo é responsável por produzir 95% do gesso consumido em todo o Brasil, sendo a maioria das jazidas localizadas em Araripina, Ipubi e Trindade e fazendo de Pernambuco o maior produtor do país, com reservas de gipsita que chegam aos 2,8 milhões de toneladas. 

Destaca-se no Araripe mais de 600 empresas envolvidas na atividade gesseira, entre mineradoras, calcinadoras e fábricas de blocos e placas de gesso, entre outros, trabalhando com uma produção reconhecida no país pelo seu alto grau de pureza e transformando a atividade no principal ramo industrial da região.

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A imensidão da APA Chapada do Araripe ocupa hoje áreas de Pernambuco, Ceará e Piauí.

O gesso do Araripe é utilizado de várias formas, sendo observada sua utilização em produtos na agricultura, nas indústrias de jóias, cerâmica, automotiva, na medicina, na odontologia, entre outras, mas é para a construção civil que a maior parte dos produtos são escoados, apresentando uma ótima relação custo-benefício para este fim, graças às características de isolamento térmico, leveza, estabilidade e precisão dimensional.

O pólo gesseiro está classificado como um Arranjo Produtivo Local (APL) nas esferas governamentais e institucionais, gerando cerca de 12 mil empregos diretos e 60 mil indiretos. A atividade também teve um crescimento acima da média do segmento da construção civil nos últimos anos, com o desenvolvimento de novas referências técnicas.

A extração da gipsita não é tão forte no lado piauiense da APA, entretanto muitos dos moradores dos municípios de Francisco Macedo, Curral Novo, Marcolândia e arredores, trabalham na produção pernambucana. O lado piauiense, mais recentemente, recebeu também a implantação de um grande parque eólico, um dos maiores do sertão nordestino.

*A APA Chapada do Araripe estará no livro fotográfico Expedição Piauí –O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.