A única reserva extrativista de Pernambuco

 

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Reservas Extrativistas se destacam pelo uso sustentável dos recursos naturais e sua correta fiscalização é fundamental para garantir a fonte de renda de dezenas de famílias que vivem da coleta dos bens naturais que se destacam nas resex.

Em Pernambuco, a única existente é a Acaú-Goiana, litorânea, pega toda a faixa que compreende as praias de Carne de Vaca, Pontas de Pedra e toda a zona estuarina que divide a cidade pernambucana de Goiana e a paraibana Acaú, daí o nome da Unidade de Conservação que fica literalmente na divisa entre os dois estados.

Por ser uma unidade com cerca de 90% de manguezais e o restante numa faixa marinha, já sabíamos que seriam vários dias embarcados. O Luiz chegou um dia antes, nosso trabalho de produção já havia organizado tudo com a Marissol, gestora do ICMBio responsável pela Resex e toda nossa logística de hospedagem e embarcações já estava previamente definida. 

Optamos, como de costume, por um bom e eficiente barco de pescador que o Sr. Hildebrando, nosso contato local, nos arrumou. O conhecimento dos moradores nativos da região são sempre a maior arma nestes momentos.

Dividimos o mapa da Resex em alguns “lotes” e dedicamos um dia pra cada área dividida. Tivemos durante esse período o suporte dos colegas da CPRH, Débora Crispim e Vidal de Souza, ele por sinal, nascido e Goiana e outro profundo conhecedor do Rio Goiana e adjacências . Optamos por começar logo pela zona marinha da Reserva, uma vez que a parte do manguezal era consideravelmente maior, optamos por “matar” logo tudo que ficava ao leste.

A água turva pela proximidade com os rios e mangues logo dar lugar a o azul típico do litoral norte pernambucano. A área é zona de relevância importante para a reprodução de diversas espécies do ecossistema marinho e vem tendo um trabalho interessante do ICMBio de conscientização dos moradores das praias, sempre muito freqüentadas, especialmente nos fins de semana. Nosso foco maior neste dia foi a tradicional Pedra da Galé, quase no limite da Reserva e destino de muitas embarcações particulares.

Luiz na pedra do Gales
Luiz na Pedra da Galé.

Escolhemos começar por lá num dia de semana propositalmente, justamente por ter menos barcos. Luiz assumiu as fotos sub do local, apesar da visibilidade não estar a ideal, e eu rodei pela Pedra em si, uma rocha com cerca de 500 metros de um lado a outro.

Pego no flagra, enquanto fotografava, por Luiz
Pedra da Galé, uma das maravilhas do litoral norte.


Em Carne de Vaca também há um pequeno naufrágio histórico pertinho da costa, mas as águas são turvas o ano todo, até por estar mais próximo da boca do Rio Goiana. Ainda tentamos algumas fotos sub do local, mas era impossível até mesmo de focar com o equipamento.

Nos dias seguintes seguimos pra dentro do mangue. A área vem sofrendo certa pressão dos arredores. Ao lado da Resex está sendo implantada uma gigante fábrica da FIAT e isso aumentou sobremaneira a procura das praias para moradia, especialmente Pontas de Pedra. A região não esteava preparada pra receber tanta gente. Hoje achar pousada por lá é uma luta, muitas foram arrendadas por inteiro pelas empreiteiras que participam da construção da fábrica.

Luiz no meio do mangue
Enfrentar o mangue sempre exige um esforço extra.
Luiz fotografando a vida no mangue
Os igarapés sempre são a melhor maneira de adentrar na vegetação dos manguezais.


Apesar da efervescência recente, a calmaria dos mangues contrastava com o ambiente agitado das praias. Em vários dias que lá estivemos o máximo que nos deparamos foi com barcos de pescadores. Não são poucas as famílias que dependem da região para seu sustento. Peixes e mariscos, especialmente na zona de encontro do mangue com o mar são as principais fontes de renda. Por sinal, que belas fotos conseguimos das marisqueiras, mas estas vão ficar guardadas pro livro.

Os dias seguintes rodamos pelas demais áreas da Acaú-Goiana em busca do máximo possível de sua fauna. O ponto máximo teria sido encontrar o Chuchu, um peixe-boi marinho que vive na região, mas segundo os pescadores, fazia alguns meses que ninguém o via. É tão raro encontrar estes animais hoje em liberdade que teria sido importante pras autoridades monitorá-lo via rádio. 

Apesar de não termos encontrado o peixe-boi não sobraram boas opções, garça-vaqueira, martim-pescador, sanhaçu, gavião-carrapateiro e uma infinidade de crustáceos de beira de mangue como aratus e caranguejos foram nossas companhias mais usuais. Por várias vezes incursionamos pra dentro dos mangues, algo sempre difícil de se locomover, mas fomos felicitados com belas imagens.

O fim de cada dia de trabalho foi regado a muita interação com a comunidade no bar de Seu Hidelbrando e seus inesquecíveis caranguejos. Quem for a Carne de Vaca não deve deixar de ir por lá. Daqui agora seguimos pro litoral sul, mais especificamente pra Reserva Biológica Saltinho.

 POSTADO POR BART VAN DORP EM 18 DE NOVEMBRO DE 2014