Ameaças à Chapada do Araripe

Por Silvio Melo
Fotos: Chico Rasta e Luiz Netto

Como todas as áreas de proteção ambiental do país (APA’s), por serem áreas uso sustentável, a Chapada do Araripe* enfrenta costumeiramente mais problemas que parques e outras unidades de proteção integral.

A pressão antrópica, problemas na regularização fundiária, caça e pesca descontrolada e principalmente os incêndios, estão entre os grandes desafios atuais da APA da Chapada do Araripe.

Hoje a unidade de conservação ainda apresenta cerca de 800 focos de calor por ano. Este número, apesar de elevado, é pouco mais que a metade dos 1400 registrados em 2008.

As caatingas dos tipos arbustiva, arbórea e arbustiva-arbórea representam mais de 50% do bioma da Chapada, o que contribui para um substrato seco altamente propenso a alastrar e disseminar chamas, fazendo pequenos focos se transformar em incêndios de grandes proporções em questão de minutos.

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As queimadas são o maior desafio da APA da Chapada do Araripe.

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Numa APA áreas cultiváveis coexistem com áreas preservadas.

O fogo muitas vezes é usado pelos próprios agricultores para queima e preparo do solo, seguindo a tradição local, não sendo raro o caso em que tais queimadas controladas realizadas por populares atingem os limites de suas fazendas e se expande pela APA.

Os municípios recordistas de focos de calor são Araripe e Pio IX no Ceará, além de Exu e Bodocó em Pernambuco. Entre setembro e dezembro, meses mais críticos em termos de falta de chuva, chegam a ser registrados 15 focos por dia na APA, um número elevado, mesmo em se tratando de uma unidade de conservação de grandes proporções.

O fato de ser uma área rica em extração mineral, também exige rigor por parte das autoridades para emissão de suas licenças de instalação e de operação. Mais de 50% dos pedidos de autorização ambiental na área interna da APA se devem às atividades de extração mineral (46%) e obras de infraestrutura (25%), especialmente rodovias e parques eólicos.

O desmatamento com 30% (sendo 6% apenas em APP’s) e a ausência de autorização ambiental para as atividades industriais, com 20%, são as maiores razões de autuações ambientais na unidade, seguido pela utilização irregular de agrotóxicos (15,75%) e a extração e uso irregular de carvão (também 15,75%).

*A APA da Chapada do Araripe estará no livro fotográfico Expedição Piauí –O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.