Artesanato e artesãos do Vale do Catimbau

Por Line Vital
Fotos: Luiz Netto e Jadson Lima

Além das belezas naturais no Parque Nacional do Catimbau*, registros pré-históricos e sua história encantadora, a cidade de Buíque e seus distritos têm um belo acervo de artesanatos que envolvem o visitante com sua beleza caracterizada com as vivências do Sertão.

Os protagonistas dessas obras são pessoas comuns da região, com talento genuíno, a maioria – todos, talvez – não passou por escolas de artes ou empenharam conceitos didáticos e teóricos para ter tal habilidade.

Para muitos foi deixado como herança de algum familiar ou até mesmo se desenvolveram como autodidatas, usando a matéria-prima que tinham acesso, como a madeira, o barro, cascas e sementes secas, essas, em abundância no sertão, dando formas e vida a arte na região.

Os artesões, Zé Bezerra, Luiz Benício e Célio Roberto são os mais conhecidos no Vale do Catimbau, os dois primeiros transformam a madeira em belas esculturas e o terceiro, usa o barro para expressar sua cultura, a representatividade e característica do povo do Sertão.

LUIZ BENÍCIO

Nascido e criado em Buíque, no Sertão pernambucano, Luiz Benício nasceu em 1972 no Vale do Catimbau, lugar onde vive e tira inspiração. Benício é um dos representantes da arte sertanense em Buíque, esculpindo a vida do povo em suas peças de madeira.

Sua infância foi vivida na roça e quase não frequentou a escola. Sozinho desenvolveu suas habilidades. Aos 20 anos começou a desenvolver suas primeiras obras. Tem como matéria-prima a madeira, reaproveitando troncos e galhos mortos abundantes na vegetação no sertão.

Luiz Benício tem uma vida simples e seu ateliê é o quintal da sua casa de taipa.

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A arte em madeira de Luiz Benício.

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Luiz Benício, artista do Vale do Catimbau.

CÉLIO ROBERTO

Célio Roberto, também conhecido como Célio de São Domingos ou Célio “Retrato de Barro”, que faz referencia à localidade e ao tipo de arte que trabalha.

Aos oito anos, Célio já fazia bonecos de barro nas pausas que tinha durante o trabalho na olaria do seu pai. Com o tempo foi aperfeiçoando suas habilidades com o barro, impressionando a todos pelo seu perfeccionismo nas feições e no detalhe característico de cada um que ele esculpe.

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A arte de Célio Roberto.

Usando sua casa no campo e seu quintal como ateliê, inspira-se na paisagem que o Vale do Catimbau lhe oferta e nas casas do pássaro João-de-barro. Diz: “Uso o mesmo material que eles, o barro”.

O Artesão foi “revelado” pela própria família, que ao perceber suas peças se encantaram e assim fizeram as primeiras encomendas, depois a popularidade da sua arte o levou para outros estados, chegando a outros países, como França e Itália.

ZÉ BEZERRA

Nascido em 1952 também em Buíque, José Bezerra já teve várias profissões. Já foi lavrador, jóquei de carreiras improvisadas, carreiro e entre essas e outras, era um dos caçadores do Vale do Catimbau.

Usando a umburana, seu tronco, galhos e raízes como matéria-prima para suas obras, Zé Bezerra não esculpe de forma tradicional, com os olhos treinados de caçador, ele procura seguir com a imaginação escolhendo as peças em que a forma do galho, tronco ou raízes insinuam formas, do jeito que sua intervenção com facão, grosa, formão e serrote, vindo daí a singularidade das suas obras.

Sempre enfatizando o papel da imaginação no que realiza, quando fala da sua arte, o artesão, atribui muita importância ao ato de ver as imagens em troncos e galhos que acha pelos arredores do seu sítio e encontra na imaginação um elemento que afasta suas peças de um realismo singelo.

Criativo nato, Zé Bezerra também é músico e repentista, construindo os próprios instrumentos como os arames que amarra entre duas chaleiras, produzindo um som semelhante a um berimbau, acompanhado pelo canto de seus improvisos.

* O Parque Nacional do Catimbau está no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.