“Até o fim do mundo” traz os Sikuani e Tapuia ao FestCine Indígena

hasta el fin del mundo - Juma Marruá

Nakua pewerewerekae jawabelia / Hasta el fin del mundo / Até o fim do mundo terá o I Festival de Cinema Indígena de Águas Belascomo um dos locais de estréia no Brasil. O vídeo, finalizado em março de 2019, foi totalmente filmado a partir de uma câmera de celular e buscou ser em sí um próprio ato de sanação das dores coloniais, a partir da busca de fusão de linguagens artísticas e culturas indígenas. 
 
O vídeo foi concebido no encontro entre a liderança indígena da aldeia El Merey-La Veradicta da terra Indígena da etnia sikuani, situada na Colômbia, Margarita Rodriguez Weweli-Lukana e da indígena urbana em situação de retomada ancestral cultural Juma Gitirana Tapuya Marruá, oriunda da região chamada Brasil. Embora concebido pelas diretoras, o vídeo foi construído em processo de mutirão, entre indígenas e não-indígenas, colombianxs e brasileirxs, lá e aqui, em três distintas línguas, de forma totalmente independente e com rarefeito recurso, embora tenha contado com o apoio institucional do fundo latino americano para apoio às artes cênicas IBERESCENA, Grupo Imagens Políticas (UDESC/BRA), Corporación TAPIOCA (COL) e CIASE (COL). De maioria indígena, são também fazedores deste vídeo, além das referidas diretoras-atrizes: Gurcius Gwedner, Felipe Chamarrabi, Vaneza Vargas, Dayana Vargas, Hector Reyes e moradores da Aldeia Indígena Sikuani Guacamayas (Vichada/COL).
 
Além de liderança política de sua aldeia, atriz e artesã, Margarita Rodriguez Weweli-Lukana integra o Conselho de Mulheres Indígenas Sikuani Jumeniduawa (COMISJU) e o Conselho Nacional de Mulheres Indígenas de Colômbia (CONAMIC). Mais de seu trabalho, ideias e práticas, bem como a situação do povo sikuani, podem ser visto nos seguintes endereços eletrônicos: https://amazoniareal.com.br/forca-e-voz-das-mulheres-indigenas-sikuani-etnia-da-colombia-e-venezuela/ e https://www.youtube.com/watch?v=vrd23P3agxE. Juma Gitirana Tapuya Marruá é artista e pesquisadora cênica e, na época do encontro com Margarita, estava participando da residência artística intitulada “Abejas Tapioca” na região da Orinocoamazonia colombiana, com o intuito de trabalhar junto à comunidades indígenas tanto que sofreram com a saída à força de seus territórios tradicionais pelas situações de guerrilha nacional quanto os que permanecem em seus territórios mas que sofrem destes processos tanto de guerrilha, quanto de agronegócio, ambos variações dos processos da grande guerra colonizatória ainda em curso. Alguns outros trabalhos audiovisuais indígenas de Juma podem ser vistos através dos endereços eletrônicos: https://www.youtube.com/watch?v=hd8IXONWRps&t=137s e https://www.youtube.com/watch?v=Lar_LtmmVeQ&t=4s.
 
O vídeo integra o projeto audiovisual Unid@s contra la colonización: muchos ojos, un solo corazón que também gerou um trabalho gráfico sobre fotos congeladas do curta-metragem. No dia da exibição, serão distribuídos para a audiência presente no Ponto de Cultura Fulni-ô, adesivos dessas imagens, que, em geral, são vendidas para obtenção de fundos para fortalecimento da luta indígena em Abya Yala. O projeto completo e notícias de seu desenvolvimento podem ser acompanhados na página: https://www.facebook.com/UnidesContraLaColonizacion/?modal=admin_todo_tour.
 
Um espécie de manifesto do projeto é:
 
A nós, filhas dos povos originários da América Latina, a colonização sempre esteve desde o passado e segue sendo nosso presente. A colonização está na roupa que usamos, na comida envenenada, no ar tóxico que respiramos, na água que consumimos dos rios contaminados, no ódio que plantaram nos nossos corações, nas diferentes violações de mulheres. ReXistimos pois! Estamos no passado, presente e estaremos no futuro, até o fim do mundo, sustentando a terra e o pouco que nos resta mas que é muito: nossa resistência e persistência em manter nossas culturas, nossos muitos olhos com um só coração e um só pensamento de proteger nossas terras e territórios.
O filme já participou de algumas mostras de exibição e o Festival de Cinema Indígena de Águas Belas será a sua primeira mostra competitiva.