Bem-vinda, Expedição Ceará!

Começar um novo blog da Coleção EcoExpedições é sempre algo marcante pra nós, fotógrafos do projeto. Essa ideia de nos aproximar dos leitores da Coleção, desde que nos foi proposta, demonstrou ser acima de tudo prazerosa, contar os tantos causos e histórias que permeiam o pesado trabalho de campo nas mais diversas unidades de conservação por onde passa o projeto.

Expedição Ceará será o primeiro dos volumes da Coleção a ser iniciado o trabalho de produção após o lançamento de Expedição Pernambuco, o primeiro livro finalizado, motivo pelo qual começamos as viagens com a motivação redobrada. Também havíamos encerrado há pouco tempo as viagens de produção do Piauí, um estado mágico e com unidades de conservação espetaculares, gigantes e ainda bem preservadas.

No Ceará iremos encontrar uma realidade bem diferente do Piauí, talvez mais próxima à realidade pernambucana. Temos pela frente uma grande quantidade de unidades, mas de tamanhos relativamente pequenos. O exato oposto do Piauí, onde há quantitativamente poucas unidades de conservação, mas, em compensação, de grande área geográfica.

Será uma longa jornada percorrendo mais de 20 unidades estaduais e federais da Terra da Luz, subtítulo que escolhemos em alusão a um termo histórico usado pelos mais antigos ao se referir ao estado pela posição de vanguarda na luta pela abolição dos escravos.

Nesta nova jornada divido novamente as fotos com meu irmão de fotografia Chico Rasta e pela primeira vez vamos tocar um livro brasileiro da Coleção sem um fotógrafo do estado alvo, o que não deve nos dar maiores problemas, dado o alto grau de conhecimento da região que tanto eu quanto Chico possuímos das terras cearenses. Particularmente já visitei em outras oportunidades cerca de 30% das UC’s que iremos percorrer, o que já nos ajuda a ter uma real dimensão do iremos encontrar.

No estudo prévio que fizemos, zoneamos as UC´s cearenses pela proximidade umas das outras. Foram três grandes zonas mapeadas, uma no oeste do estado, divisa com o Piauí, outra na faixa litorânea e uma terceira na região do famoso mosaico do Araripe, sul do estado.

Esta divisão aproxima as UC’s para contemplarmos as visitações numa mesma viagem, mas deixa algumas unidades centrais um tanto isoladas. É justamente por estas que resolvemos começar. A primeira parada será no Monumento Natural dos Monólitos de Quixadá, no município de mesmo nome. Em seguida partimos pra começar os trabalhos nas unidades do oeste cearense, perto do Piauí, local de belas praias.

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Quixadá e seus monólitos, nossa primeira parada!

Já nessa nova fase, vamos testar nossa nova logística, com nossa equipe saindo de dois locais bem distintos. O Ceará fica bem no meio do longo caminho que separa Recife, minha casa, de Parnaíba, terra de Chico e Vinícius, nosso assistente e que vai integrar o “núcleo duro” de nosso time neste novo volume.

Agora é hora de empacotar tudo e tendo em vista as diferenças de características de cada uma das UC’s, vamos recheados de equipamentos. Aliás, este processo inicial é sempre um momento muito relevante pra qualquer projeto de fotografia. O trabalho em áreas remotas não permite muitos erros. Um equipamento importante esquecido em casa dificilmente será substituído, por não serem itens a serem encontrados em qualquer esquina. Da mesma forma, um acesso rápido a cada um dos equipamentos, fruto de uma boa organização, também é essencial para otimizar o tempo de campo. Cada minuto perdido procurando um item qualquer na noite anterior a uma saída, significa menos horas de descanso, menos horas úteis de trabalho.

Particularmente, já fico em casa com os equipamentos similares acomodados em caixas específicas, por exemplo, uma caixa ou bolsa só com os equipamentos de mergulho, outra só com os equipamentos de foto-sub, outra só com as lentes do meu jogo principal, outra com as lentes reservas e assim sucessivamente. Entretanto, há sempre necessário checar tudo religiosamente antes de cada viagem.

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A cada viagem, uma nova checagem!

Possuo também um checklist padrão, que serve de base pro cheklist específico de cada viagem. Se o trabalho não vai envolver o litoral ou águas claras, não há necessidade de levar os equipamentos de foto-sub, se é inverno, preciso caprichar nas roupas de frio e na proteção de chuva, se são vários dias, é importante levar mais alguns itens reservas, se possui algum ponto de apoio, não será necessário itens de camping, e assim sucessivamente. Câmeras e lentes sempre que possível acomodadas dentro de valises resistentes a impacto.

Feito esse novo checklist, removo os itens não necessários e acondiciono novamente por similaridades os itens num sistema de caixas/bolsas menores dentro de valises/caixas/bolsas maiores. Hoje já sei de cabeça qual a caixinha das pilhas, qual a caixinha dos carregadores, onde estão os  equipamentos de apoio (GPS, caixas de playback, etc), mas mesmo sabendo-os decorado, costumo ainda anotar no topo de cada caixa o que cada uma carrega em seu interior. Além de reforçar a o mapeamento dos itens, facilita a vida do assistente não muito habituado a esta logística.

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Meus equipamentos de mergulho ocupam muitas das caixa e bolsas, normalmente uso três pra levar todo o material, uma pros materiais de mergulho autônomo (colete, regulador etc), uma bolsa para roupas e nadadeiras de mergulho e mais uma caixa pro equipamento de foto sub, esta última coma  várias pequenas caixas subdividindo os itens internamente.

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Parte dos equipamentos acondicionados.

Finalizada e revisada a maratona de arrumação, revisado o veículo e dada uma última revisão no GPS pra analisar as melhores rotas é hora de dormir pra pegar estrada! Aguardamos vocês por aqui, em breve um pouco mais de nossas histórias pela Expedição Ceará! Em poucos dias postamos por aqui como foi nossa aventura pelos Monumento Natural dos Monólitos de Quixadá! Até lá!

 

POSTADO POR LUIZ NETTO EM 05 DE OUTUBRO DE 2016.