Bita e Utinga, a mais nova Estação Ecológica de Pernambuco

 

Nosso tour pelas unidades de conservação do Cabo de Santo Agostinho finalizou-se com nossa chegada à Estação Ecológica Bita e Utinga, a mais recente das unidades pernambucanas.

De jurisdição estadual, Bita e Utinga ocupa área que outrora pertencera aos engenhos de mesmo nome. Apesar de constituírem hoje a mesma unidade de conservação, fisicamente as áreas são separadas por uma distância considerável de alguns quilômetros, o que nos levou a dividir os trabalhos como se fossem duas unidades distintas.

Contamos, como de costume nas UC´s do Cabo, com o suporte da Cipoma, que mais uma vez foram pontuais e atenciosos com os nossos trabalhos, além de aproveitarem nossa ida pra soltar algumas aves apreendias, o que já nos rendeu belas imagens logo no início dos trabalhos. Sensação de alegria ímpar pra qualquer fotógrafo de natureza ver aquelas gaiolas serem quebradas e os animais poderem voltar à liberdade.

 

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Diversas aves foram soltas de cativeiros irregulares durante nossa estada na Estação Ecológica Bita e Utinga.

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A Cipoma vem realizando um forte de trabalho no Estado de apreensão de animais silvestres.

 

Apesar de distantes fisicamente, Bita e Utinga possuem características muito semelhantes, o que pode ter levado o governo a decidir tratar ambos como a mesma unidade. Como antigos engenhos, possuem o solo fértil e ávido por recuperar a natureza outrora substituída por cana-de-açúcar.

A Estação ainda não está totalmente desocupada, até pelo seu pouquíssimo tempo de vida, mas ainda possuem bons extratos remanescentes de mata atlântica que dão uma ideia interessante de quão bela vai ficar a região quando a área estiver toda recuperada.

Bita e Utinga também entrou na cota de compensação ambiental de Suape e aparentemente está um passo à frente em relação à recuperação do ecossistema que seus dois parques vizinhos, o Duas Lagoas e a Mata do Zumbi, os quais passamos e fotografamos recentemente.

Por ser uma Estação Ecológica é de se esperar que seja ainda mais restritiva que os parques no futuro, com sua atividade voltada prioritariamente para pesquisa e este rigor quanto à visitação tende a causar melhores resultados para a recuperação de áreas degradadas.

Os dias que lá estivemos foram úmidos e molhados. Mais uma herança da época em que eram engenhos, a Estação possui várias estradas vicinais em seu interior, o que facilita os deslocamentos, entretanto com as chuvas torrenciais que nos acompanharam, os translados offroads se transformavam numa aventura à parte. Seguíamos no veículo da Panorama e a Cipoma numa caminhonete da Polícia Militar nos acompanhava, mas por vezes não conseguiam seguir pelos mesmos caminhos que seguíamos em virtude da viatura ser um pouco mais baixa que nosso veículo.

 

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Bita e Utinga possui áreas ainda bem preservadas e abundância de fontes de água. Na foto, ao meu lado, nosso assistente Leôncio, que nos acompanhou na ESEC.

Em termos de vida selvagem, Bita e Utinga nãos nos deu nenhuma grande surpresa, mas o resultado já foi um pouco melhor que no Duas Lagoas e na Mata do Zumbi, mesmo com a chuva jogando contra nosso trabalho. O cenário com extratos de mata mais densos e preservados facilitou um tanto nosso trabalho, especialmente pra encontrar algumas aves.

Encontramos dois acampamentos abandonados no meio das matas, provavelmente de caçadores, que foram prontamente vistoriados pela Cipoma sem encontrar nada de relevante lá dentro.

A união das chuvas com o solo de engenhos da zona da mata de Pernambuco resultou em vários trechos de charcos intransponíveis que dificultou muito nossos deslocamentos a pé nos trechos em que a mata começa a suplantar a extinta plantação de cana-de-açúcar.

Também contamos com o valioso apoio da guarda do Complexo Portuário que foram nossos guias durante nossa estada nas três unidades do Cabo de Santo Agostinho.

 

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Eu, Bart, Leôncio os membros da Cipoma que nos acompanharam e os fiscais do Porto de Suape responsáveis pela guarda da UC. Todos trabalhando pela conservação da ESEC Bita e Utinga.


Com a visita à Estação, encerramos o ciclo de unidades nesta parte do litoral pernambucano e já começamos a nos preparar para o processo de produção de nosso livro.

De todas unidades de conservação pernambucanas resta apenas complementar os trabalhos na APA Costa dos Corais, área marinha no litoral sul que com certeza irá nos brindar em breve com belas fotos sub-aquáticas pra fecharmos com chave de ouro esta longa jornada.


Até lá!

 POSTADO POR LUIZ NETTO EM 23 DE FEVEREIRO DE 2015