Entre mares e montanhas do Henri Pittier

 

Quando saímos de Tacarigua rumo ao Parque Nacional Henri Pittier, já na costa oeste do país, ainda estava em nossa mente os dois grande eventos que havíamos presenciado até então: a revoada de guácharos Cueva del Guacharo e o “espetáculo das aves”, na Laguna de Tacarigua.

E ao que parecia esse seria o “projeto das aves”, pois caminhávamos pro parque nacional onde já sabíamos ser um dos melhores lugares para birdwatching do mundo. O Henri Pittier foi o primeiro parque nacional venezuelano criado e é composto por uma belíssima floresta úmida que desemboca num litoral majestoso, onde se encontra Choroni e uma série de famosas praias da Venezuela (que também fazem parte da unidade de conservação).

A floresta do Henri Pittier lembra um pouco nossa Amazônia, especialmente na densidade de sua selva. Densidade esta que complica por demais o processo de avistamento de animais em geral, em especial os mamíferos, primatas e outras espécies menores que habitam as redondezas.

Procuramos alternar jornadas em bote pelas praias e incursões pelas montanhas da selva úmida, além de documentar a cultura local, em especial os vilarejos históricos que existem na região, como o de Chuao, uma vila ligada ao ciclo do cacau que ainda mantém viva a tradição dos “el diablos”, rica peça do folclore local, semelhante aos “caretas” da cidade pernambucana de Triunfo.

Ao longo dos dias fomos constatando o porquê de birdwatchers de todo o mundo visitarem o Pittier. Na nossa jornada fotografamos mais de 40 espécies diferentes de aves, incluindo-se tanto as  marinhas, quanto as encontradas nas nebulosas montanhas verdejantes do parque.

Havíamos reservado os dois últimos dias para tentar encontrar as colônias de primatas que habitam as montanhas. Foram longas jornadas acordando cedo e voltando tarde ao apagar das luzes naturais. Talvez essa tenha sido a primeira grande frustração do projeto até o momento. Ao que parece nossos parentes não estavam muito dispostos a aparecer nas páginas de nosso livro. A frustração só aumentava quando conversávamos com alguns camponeses e eles diziam ter vistos vários macacos “ontem”. Passou inclusive a sensação que estávamos 24 horas atrasados no tempo.

Apesar dessa frustração inerente a projetos como nosso (e o perfil dos projetos dã EcoExpedições é exatamente este, trazer estes detalhes de bastidores pra conhecimento do leitor) as fotos do Pittier estão entre as mais belas de todo projeto. Por ser um local eclético, com montanhas, muito verde, aves e praias que estão entre as mais bonitas da América do Sul, o parque merece por demais a visitação, não a toa é um local largamente procurado pelos europeus, apesar de brasileiro ser coisa rara por aqui.

No próximo post vamos continuar no Henri Pittier, falando um pouco sobre Choroni, Puerto Colômbia, Chuao e a tradição dos El Diablos. Estes tradicionais vilarejos, localizados dentro do parque nacional, encantam a  todos que os visitam e são excelentes pontos de apoio pra visitar toda esta área.

 POSTADO POR LUIZ NETTO