O mundo Canaima

 

A frase “gigante pela própria natureza” do hino brasileiro poderia ser muito bem aplicada ao Parque Nacional Canaima, o segundo maior da Venezuela. Passar uma semana por estas terras é muito pouco tempo, dada a sua imensidão territorial. Da fronteira com o Brasil até próximo aos limites de Ciudad Bolivar, praticamente tudo é o mundo do Canaima.

Como falamos no outro post, começamos a desbravar a unidade de conservação no Salto Angel, mas após o retorno nos enveredamos pela Vila Canaima, Laguna de Canaima e outras belas preciosidades do local, como o Salto Sapo e o Salto Sapito, além de corredeiras diversas do Rio Churun, que irão abrilhantar as páginas de nosso livro.

O Dênis, nosso guia no Salto Angel, permaneceu conosco enquanto tivemos pelas vilas do parque, sempre contando com detalhes a rica histórica de cada vilarejo. Pudemos explorar um contato mais próximo com alguns indígenas que habitam o parque, entendendo um pouco a “tsunami” que o boom turístico vem causando nas populações tradicionais desta região. A Vila de Canaima, a principal do parque, já conta com uma estrutura interessante, com hospital, aeroporto, escolas e até ensino profissionalizante.

 

Parte da Vila de Canaima, a Laguna de Canaima e suas belas cachoeiras.

O mundo se encontra em Canaima. Nos dias que lá estivemos conversamos com espanhóis, italianos, alemães, eslovenos, norte-americanos e latino-americanos de vários países. Apesar das origens distintas, o sentimento de paixão pelo local era unânime em todos.

Fomos abrilhantados com a fotografia de uma arara-vermelha, macacos, répteis e algumas espécies de pássaros menores, muitas das quais já havíamos fotografado no Henri Pittier. Apesar de termos dado essa sorte de encontrar alguns animais interessantes, o aumento do número de turistas que buscam o Salto Angel tem afugentado demais a fauna desta região. Se quiser ver bicho, vá pras áreas mais distantes do Canaima. Já para a área das cachoeiras mais famosas vá apenas com uma grande angular, pode deixar sua pesada teleobjetiva em casa sem peso na consciência.

Nas noites da Vila, um único point funcionava como ponto de encontro de todas as tribos que visitam o Canaima. Lugar agradável, com direito um telão e música improvisada numa palhoça e um ótimo barman. De negativo, só o novo “produto exportação” da cultura brasileira: Michel Teló. Em plena Vila de Canaima, o telão por várias vezes foi abrilhantando com clipes do ilustre artista.

A seguir continuamos no Parque Nacional Canaima, desta vez na região da Gran Sabana, sul do país, já próximo da fronteira com o Brasil.

 POSTADO POR LUIZ NETTO