Salto Angel, a maior cachoeira do mundo

 

O gigantesco Parque Nacional Canaima abraça a igualmente gigantesca cachoeira do Salto Angel, a maior do mundo, com quase 1km de queda livre da cortina d’água.

No período que estivemos no parque, dedicamos os 3 primeiros dias a alcançar a mais famosa cachoeira do mundo. Nosso ponto de partida foi Ciudad Bolivar de onde pegamos um CESNA para 1 hora e meia de voo até a Vila de Canaima, às margens da Lagoa de mesmo nome e suas inúmeras cachoeiras.

De lá seguimos pelo Rio Churun, juntamente com nosso guia Dênis, que nos levou a enfrentar um período de franca estiagem. Com o rio seco, as pedras por várias vezes batiam fortemente no casco do barco. Por vezes tínhamos que fazer leme de proa pra contornar canais cada vez mais rasos e estreitos. Num único determinado trecho fomos obrigados a descer numa ilhota do Rio pra aliviar o peso do barco numa área mais complicada e fomos alcançados do outro lado da mesma ilha.

Refeitos destes imprevistos seguimos até nosso objetivo. Ao todo foram cerca de 4 horas até a o acampamento localizado próximo ao Salto Angel. A vista do acampamento era uma das imagens da cachoeira mais impressionantes. Apesar de se localizar a 1 hora de caminhada até a base do salto, por conta das dimensões divinas da cachoeira era possível vê-la com perfeição de onde nossas redes estavam estendidas. A composição da cachoeira com a floresta a sua frente e o Churun em primeiro plano era das coisas mais belas.

Apesar da pouca quantidade de água no rio, o salto conservava uma boa cortina d´água, mas mal sabíamos o que nos esperava. Deixamos pra ir até a base do Salto Angel na manhã seguinte e fomos surpreendidos durante a madrugada por um verdadeiro temporal. Dormir em redes, ao som da chuva no meio de uma selva como o Canaima é algo sempre espetacular, mas neste caso específico, profissionalmente poderia estragar uma parte importante do projeto.

Comumente chuvas fortes costumam cobrir com uma forte névoa mais da metade do paredão do Salto Angel e vir de tão longe pra não documentar um dos monumentos mais importantes do mundo de forma completa seria uma pena, uma lástima.

Passamos toda a madrugada conversando já num possível “plano B” caso a névoa encobrisse a cachoeira, que iam desde ficar acampado indefinidamente até o tempo abrir ou a comida acabar, ou até mesmo seguir mais adiante no Churun pra procurar eventuais outras vistas mais claras da cachoeira (algo improvável de acontecer).

De qualquer maneira manteríamos nos primeiros dias o plano A, que seria deslocar-se até a base do Salto, independente do clima, nem que fosse debaixo de um forte dilúvio. 

De fato seguimos os primeiros passos ainda debaixo de chuva, mas já não tão forte quanto a da madrugada. Já nos impressionou o aumento considerável da quantidade de água do rio em apenas um dia. O dilúvio que transbordou o topo do tepuy em que se localiza a cachoeira já despejava uma cortina d´água bem maior a alimentar os rios da região, mas a neblina ainda era considerável. 

Andamos por cerca de uma hora pela trilha rumo à base da maior cachoeira do mundo. No caminho tivemos que socorrer uma senhora venezuelana que caíra na trilha e aparentemente tinha o pulso fraturado. Fizemos uma rápida imobilização com uma tala improvisada e após receber “obrigado” e “gracias” algumas centenas de vezes do guia que conduzia o grupo da senhora, partimos rumo ao nosso objetivo.

Pra nossa sorte já não mais chovia quando chegamos ao principal mirante do Salto Angel, mesmo encoberto, a visão do tepuy e da cachoeira era assustadora (no bom sentido).

Definitivamente é das paisagens mais impressionantes que vi na vida. Foram horas fotografando o monumento de diversos ângulos, luzes e cores, até que durante um breve instante que durou cerca de 10 minutos o céu azul deu o ar da graça no topo do tepuy. Foi possível ver toda a imensidão da queda d´água em sua plenitude e com uma luz maravilhosa que reforçava cada detalhe da textura da rocha. 

Quando o momento mágico se foi, conseguimos ainda boas composições com a névoa que voltou a encobrir o Salto, mas a missão estava cumprida. O Salto Angel vai pro livro e já se encontra em nossa memória.

No caminho de volta até o acampamento-base, mais dois fatos a serem destacados. Primeiro a belíssima cena de uma senhora venezuelana rezando de braços abertos e em lágrimas ao ver o Salto Angel pela primeira vez. Repetia várias vezes olhando para o céu: “gracias Señor, que maravilha!”

Já no final da trilha tivemos que usar nossos dotes de primeiro socorros mais uma vez. Desta vez um espanhol havia escorregado numa rocha e cortado profundamente a perna. Prestamos um rápido socorro no local e levamos de volta ao acampamento onde fizemos uma limpeza mais forte, apesar da vontade de um colega em suturá-lo ali mesmo, optamos por colocá-lo num barco até Canaima onde recebeu um excelente atendimento no posto de saúde comunitário da Vila.

Aliás uma excelente qualidade da Venezuela é que todo povoado, por menor que seja, tem uma escola e ao menos um ambulatório. No Canaima vimos vários turistas precisando de atendimento e sendo atendidos rapidamente e com muita qualidade.

Apesar do Salto Angel merecer um livro só pra ele, nossa jornada pelo no Canaima continua no próximo post, onde vamos falar um pouco de como foi visitar outras áreas parque!

Pra conhecer o Salto Angel, nossa indicação é a Gekkotours (www.gekkotours-venezuela.de). Estando em Ciudad Bolivar indicamos a Posada La Casita (www.posada-la-casita.com), que conta com uma ampla área verde e um mini-zoológico em seu inteiror. O Peter, alemão que vive na Venezeula há mais de 20 anos, é o proprietário tanto da Gekkotours quanto da La Casita e oferece a melhor infraestrutura pro turista conhecer toda a região e foi mais uma das grandes amizades que fizemos na viagem.

 

 POSTADO POR LUIZ NETTO