Buriti dos Lopes

Por Fred França
Foto: Chico Rasta

O território onde hoje se encontra o município de Buriti dos Lopes foi um dos primeiros do norte do Piauí a ser povoado. Sua ocupação data de mais de 200 anos, através do português Francisco Lopes, oficialmente o primeiro habitante a se estabelecer nas margens do riacho Buriti, assim batizado em alusão aos vastos buritizais ali existentes.

Com a mistura do nome do fundador com o nome do riacho, veio o nome da localidade que logo se pôs a se desenvolver e a receber novos habitantes, tendo em Francisco o primeiro líder político, sucedido por Ângelo Antônio Lopes, seu descendente, que marcou o povoado, tanto pela boa relação com a comunidade, quanto pela luta com os balaios, que o vitimou em confronto, mesmo aos 90 anos, nos idos de 1839. A morte de Ângelo Lopes causou grande comoção e a intervenção do então prefeito de Parnaíba, que despachou novas tropas pra enfrentar os insurgentes , vencendo-os em Barra do Longá.

O povoado foi elevado à Vila, ainda sob o nome de Buriti dos Lopes, no fim do século XIX , mas por um intervalo de quatro anos, já na primeira década do século XX, teve o nome alterado para Vila do Baixo Longá, algo comum à época e ainda nos dias atuais, quando várias das cidades e povoados faziam alusão ao rio Longá, o principal da bacia do Parnaíba a banhar a região. Pouco tempo após ser alçado à condição de município, Buriti dos Lopes voltou a ser incorporado à Parnaíba, fato que durou até 1933, quando restaurou de forma definitiva sua autonomia.

A cidade apresenta atualmente grandes ilhas bem preservadas dentro da área da APA da Serra da Ibiapaba*, incluindo até mesmo populações de espécies amazônicas, como o macaco-da-noite, que pode ser encontrado em sua zona rural.

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O macaco-da-noite é uma das raridades encontradas em Buriti dos Lopes.

Atualmente com cerca de 20 mil habitantes, Buriti dos Lopes apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano de 0,565, em base de dados do ano de 2010, e um PIB per capita de R$ 5.824,65 anuais, em base de dados do ano de 2013.

A economia da região ainda se baseia muito na produção rural, contando com alguns latifúndios e grandes produtores. Destaca-se no agronegócio local a aquicultura de água doce, a avicultura e os rebanhos bovinos, além de, em menor escala, caprinos, ovinos e suínos. Na agricultura destacam-se a produção de arroz, feijão, mandioca e milho.

* A APA da Serra da Ibiapaba e o Parque Nacional de Sete Cidades estarão no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.