Cabo de Santo Agostinho

Por Karina Morais
Fotos: Fred França e Bart van Dorp

O Cabo de Santo Agostinho fica localizado na Região Metropolitana do Recife, Microrregião de Suape e conta hoje com 185 mil habitantes. Sua distância ao Marco Zero, no Recife, é de 33 km, sendo o acesso mais utilizado o rodoviário, pelas rodovias BR-101 sul e PE-60, seguido da PE-28 (Rodovia Vicente Pinzón) e pela Via Parque/Paiva que dá acesso às praias do Município, tais como Gaibú, Itapuama, Paraíso e Suape.

O município possui uma boa infra-estrutura turística, representada pelo rico patrimônio natural cultural, pelas dezenas de engenhos, pelo Parque Metropolitano Histórico Cultural Arquiteto Armando de Holanda Cavalcanti e, sobretudo, pelo seu litoral, de cerca de 24 Km, abrigando belíssimas praias. Além disso, a área rural também tem uma função ambiental importante, pois abriga mananciais, para abastecimento de água da RMR, possuindo inúmeras barragens como as de Utinga, Pirapama e Gurjaú, além de três reservas ambientais de jurisdição estadual: o Parque Estadual Duas Lagoas*, o Parque Estadual Mata do Zumbi* e a Estação Ecológica Bita e Utinga*.

A história do Cabo de Santo Agostinho inicia-se antes da chegada dos portugueses ao Brasil. De acordo com vários historiadores, em 26 de fevereiro de 1498 Vicente Yañez Pinzón, na visita que fez à costa brasileira, ancorou num porto abrigado e de fácil acesso a pequenas embarcações, com 16. O referido porto era a Enseada de Suape, localizada na encosta sul da cidade, que a expedição espanhola denominou Cabo de Santa Maria de la Consolación. A Espanha não reivindicou a descoberta, minuciosamente registrada por Pinzón, devido ao Tratado de Tordesilhas, assinado com Portugal.

Em homenagem ao seu “descobridor”, a prefeitura e os governos já nomearam eventos e lugares do município com o seu nome, inclusive na entrada da cidade há um monumento homenageando o navegador, no intuito de dar as boas-vindas aos visitantes da cidade.

O município era habitado originalmente pelos índios Caeté. Os primeiros habitantes brancos chegaram no século XVI, fundando o então chamado Arraial do Cabo. Uma das marcas desse povoamento são as construções antigas que ainda podem ser observadas, como: as Igrejas Matriz de Santo Antônio, de Santo Amaro, Nossa Senhora do Livramento e antiga Capela do Rosário dos Pretos (hoje Praça Théo Silva), e casario escasso representado por antigos prédios nas ruas da Matriz (Rua Vigário João Batista) e Dr. Antonio de Souza Leão. As fachadas dessas construções são protegidas por lei, mas muitas delas hoje encontram-se descaracterizadas.

Em 1560, João Paes Barreto já instituía o Morgado de Nossa Senhora da Madre de Deus do Cabo de Santo Agostinho, vinculando o Engenho Madre de Deus, que depois passou a ser chamado de Engenho Velho. A escritura foi redigida em 28 de outubro de 1580. Segundo afirma Sebastião de Vasconcelos Galvão, autor do Dicionário Iconográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, o povoamento sede do Município data de 1618; antes dessa data constituía-se de algumas casas esparsas, com certa distância uma das outras. Transcorridos mais de duzentos anos de ter iniciado o povoamento, foi criada a Vila do Cabo de Santo Agostinho, por força do alvará expedido em 1811.

Foi elevada à categoria de Cidade a então Vila do Cabo de Santo Agostinho em 09 de julho de 1877, pela lei provincial nº. 1.269, para a denominação de Cidade de Cabo, adicionando, mais tarde, o nome do bispo e teólogo argeliano Santo Agostinho.

O Cabo teve sua economia objetivada no desenvolvimento da monocultura da cana-de-açúcar, a partir de 1570, com a doação de sesmarias ao curso do Rio Pirapama. Tendo João Paes ocupado as terras a ele doada em 1571, ao sul do Rio Araçuagipe (Pirapama), funda o primeiro engenho banguê que denominou Madre de Deus (hoje, Engenho Velho), o mais antigo centro açucareiro da região. Mais tarde, com a criação de novos engenhos, o Cabo passa a representar o poderio econômico de Província de Pernambuco, época em que a cana-de-açúcar representava a força de crescimento do país. Muitos destes engenhos atualmente se transformaram em áreas de preservação ambiental, como é o caso do Engenho Bita e do Engenho Utinga, que hoje compõem a ESEC Bita e Utinga*.

Atualmente o Produto Interno Bruto (PIB) do Cabo de Santo Agostinho é o segundo maior da Microrregião de Suape e a quarta maior economia do Estado. Suape, um dos maiores portos do país, mudou radicalmente a geografia da região, aumentando sobremaneira o fluxo de moradores e trabalhadores que vieram aos milhares de vários estados do país.

Do Parque Estadual Mata do Zumbi é possível ver partes do Porto de Suape

As Praias são belas e chamam turistas de todos os lugares do Brasil. As principais são:

  • Praia do Paiva:

A mata atlântica e os coqueiros formam a paisagem natural. Tem águas transparentes e mornas, com uma variação de piscinas naturais e mar aberto, local bastante visitado para a prática do surf e adeptos de caminhadas.

  • Praia de Itapuama:

Em tupi-guarani, o seu significado é Pedra Bonita. Praia de cenários naturais, piscinas naturais com formações rochosas de origem vulcânica, águas claras e mornas. O local é recomendado para a prática do surf e pesca. Localiza-se entre as praias do Paiva e Pedra do Xaréu.

  • Praia Pedra do Xaréu:

Paisagem natural formada por rochas negras (rochas de origem vulcânica), com montes e matas fazem parte da paisagem. Águas mornas e cristalinas, recomendado para o banho de mar e pesca.

  • Praia Enseada dos Corais:

Chamada anteriormente de Praia do Boto. Possui areia clara, piscinas naturais, águas claras e mornas, vestígio de mata atlântica e coqueiral. Tem uma grande concentração de casas de veraneio.

  • Praia de Gaibú:

Em tupi – guarani Aybu, seu significado é Vale do Dágua, posteriormente os portugueses passaram a chamar de Gaibu. No passado servia como porto de desembarque de escravos. É uma das mais movimentadas praias do litoral sul de Pernambuco.

  • Praia de Calhetas:

No passado serviu como porto seguro para as tropas portuguesas e holandesas.

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A calma enseada da Praia de Calhetas é uma das praias mais famosas de Pernambuco

  • Praia do Paraíso:

Chamada anteriormente de praia da Preguiça, possui vista panorâmica da enseada de Suape, Ilhas de Tatuoca e Cocáia. Composta por uma vegetação densa, algumas áreas formadas por afloramentos graníticos e outras de areias claras, águas transparentes e mornas.

  • Praia de Suape:

Localidade de grande importância na época da colonização de Pernambuco, onde várias batalhas entre portugueses, holandeses e índios Caetés, fizeram parte da história da região. Na verdade é uma Enseada, protegida por uma barreira natural de arrecifes de arenitos, a qual recebe as águas do Rio Massangana.

* O Parque Estadual Duas Lagoas, o Parque Estadual Mata do Zumbi e a Estação Ecológica Bita e Utinga estão no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.