Caetés também é natureza!

 

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Estávamos curiosos pra conhecer a Estação Ecológica Caetés, localizada em Paulista, fronteira com Abreu e Lima, cidade da Região Metropolitana de Recife. Apesar da proximidade, nunca havíamos estado por lá e unidades de conservação próximas a selvas de pedra sempre são interessantes e extremamente relevantes.

Com pouco mais de 100 hectares, a Estação é vizinha do Complexo Prisional de Abreu e Lima, ligado à Polícia Militar de Pernambuco e sua história é de conquistas, uma vez que grande parte da área iria virar um lixão e por pressão popular terminou se transformando numa bela Estação Ecológica.

Contamos com o apoio da técnica da CPRH Débora Crispim, que vem nos dando suporte em todas as unidades estaduais de Pernambuco e fomos recebidos pela Sandra Cavalcanti, gestora da Unidade e pelo Narciso Lins, que foi nosso guia enquanto lá estivemos.

A Sandra nos fez uma grande sabatina especialmente com os trabalhos sociais realizado em Caetés. Há uma grande interação com a comunidade dos arredores da Estação e o mais importante, os moradores  participam de vários pontos da gestão da Unidade de Conservação.

O Narciso trabalha há muito tempo na área e foi nosso porto seguro quando lá estivemos, conhecedor de cada palmo da ESEC, foi fácil de encontrar algumas aves típicas da mata atlântica brasileira. Não é difícil avistá-las em Caetés, guardadas as devidas proporções se compararmos a outros paraísos das aves brasileiros como o Viruá ou outros parques mais isolados.

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Narciso, nosso guia na ESEC Caetés.

Logo no início das trilhas que adentram na mata há um grande mirante que permite uma bela vista da mata. As copas das árvores são bem altas, apesar de parte ser de vegetação secundária, o que mostra a rápida recuperação do local. Narciso nos chamou a atenção para os córregos que passavam lentamente em alguns trechos:

“Tá vendo esses filetes de água? Hoje são perenes, graças ao reflorestamento e a diminuição do desmatamento. Esses córregos costumavam secar fora do período de chuvas.”

Essas pequenas conquistas são o que nos enchem de esperança que muito ainda pode ser recuperado.

A parte baixa de Caetés é mais úmida, com riachos e córregos, e também mais isolada das casas próximas, por conseguinte, mais fácil de encontrar aves e pequenos anfíbios, a fauna mais comum por estas bandas. O Luiz, pra variar, aproveitou pra pegar umas fotos dentro d’água.

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Parte baixa da ESEC Caetés.

Caetés é cercada por áreas urbanas e mesmo com as áreas de amortecimento nos arredores não é difícil ao subir um morro começar a escutar o pagode tocando no churrasco de fim de semana das residências vizinhas, ainda assim, mesmo com essa pressão antrópica, a Estação resiste e se recupera bravamente.

Ao longo dos dias de trabalho em Caetés também fomos agraciados com pequenos mamíferos, vários saguis e alguns bichos-preguiça que também são muito comuns na região e provavelmente estarão nas páginas de nosso livro.

Num dos fins de tarde, um dos tratadores veio correndo em nossa direção, havia encontrado uma grande jiboia que repousava próximo à portaria. Nos foi muito útil, apesar de ser uma serpente das mais comuns em Pernambuco, ainda não havíamos as encontrado em nenhuma das unidades pernambucanas e serviu pra fechar com chave de ouro nossos trabalhos em Caetés

Finalizados os trabalhos por aqui, agora voltamos para o agreste do Estado, onde vamos conhecer a Reserva Biológica Pedra Talhada, próxima à cidade de Garanhuns. 

POSTADO POR BART VAN DORP EM 29 DE SETEMBRO DE 2014