Caxingó

Por Fred França
Foto: Luiz Netto

O município de Caxingó é recente, mas a ocupação de sua região remonta ao século XIX, mais precisamente à chegada do imigrante Otávio Medeiros da Cunha e sua esposa, vindos do estado de Pernambuco. À época, Caxingó ainda pertencia ao município de Parnaíba, principal polo do norte do Piauí até os dias de hoje. A família de Otávio ocupou as margens do rio Longá ao perceber o potencial da região para o cultivo e a pecuária.

O novo morador encontrou um local já habitado por diversas fazendas, mas sua chegada acabou por ser fundamental para o “batismo” da localidade, por um motivo um tanto inusitado. Otávio Medeiros era deficiente físico, amputado de uma perna, fruto de um acidente ainda da época em que residia em seu estado natal. Em poucos anos morando nas margens do Longá, recebeu o apelido de Caxingó, em referência ao esforço que fazia pra se locomover.

Em alguns anos, Otávio se tornou o principal comerciante local, atraindo compradores das grandes fazendas próximas e dando início ao povoamento dos arredores do seu comércio. “Ir ao Caxingó” fazer compras em pouco tempo acabaria por batizar a nova localidade.

O povoado passou então a receber novos moradores dos estados vizinhos, especialmente Ceará e Pernambuco, e de cidades do norte e meio-norte piauiense.

Depois de pertencer a Parnaíba, Caxingó passou ao território de Buriti dos Lopes, quanto este conseguiu sua emancipação. O desmembramento e independência de Caxingó aconteceu em 1995 e a instalação do distrito sede ocorreria dois anos depois.

Hoje a cidade, que ocupa 2,5% da APA da Serra da Ibiapaba*, é uma das mais preservadas desta unidade de conservação, muito devido à iniciativa coletiva de muitos fazendeiros, que apesar de não oficializarem suas terras como Reservas Particulares, o fazem à parte da burocracia necessária para a implantação das chamadas RPPN’s.

Muitas destas fazendas inclusive são procurada por órgãos ambientais federais e estaduais para realizar a soltura de animais silvestres, inclusive com a implantação de viveiros de transição.

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Viveiro para reintrodução de espécies na natureza localizado em fazendas de Caxingó.

Algumas espécies da mastofauna piauiense como quatis, jacarés-do-papo-amarelo, capivaras entre outros, são encontrados nestas fazendas com certa facilidade. É, sem dúvidas, o local mais propício para avistamentos em toda a APA. O mesmo vale para a avifauna, com vários exemplares raros presentes na região, como o pato-selvagem e dezenas de rapinantes.

O município atualmente possui pouco mais de 5 mil habitantes apenas, com um Índice de Desenvolvimento Humano de 0,488, baixo, mesmo se comparado às cidades vizinhas. A renda per capita registrada no ano de 2014 foi de R$6.313,60. A população é quase totalmente católica. O setor de serviços e a agropecuária são os principais pilares da pequena economia local, que ainda não explora o grande potencial turístico de atividades ligadas ao ecoturismo, tais como a observação de aves, entre outros.

* A APA da Serra da Ibiapaba estará no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.