Cerâmica da Serra da Capivara

Por Fred França
Foto: Luiz Netto

A criação do Parque Nacional da Serra da Capivara* trouxe consigo toda uma gama de ações socioambientais ao longo de toda a área protegida e seus arredores. Muitas atividades artesanais ganharam forte impulso com a criação da unidade de conservação, com destaque, sem dúvidas, para a cerâmica. Da união do talento já existente nos artesãos locais com as capacitações que se seguiram, inclusive com investimentos internacionais, e toda a arte rupestre que serviu de inspiração para os artistas, fez surgir uma arte própria com o DNA da Serra da Capivara e que vem rompendo barreiras e fronteiras.

O processo de capacitação, iniciado ainda na década de 90, foi capitaneado pela Fundação do Museu do Homem Americano e incluiu a presença de professores e mestres ceramistas da Itália e do Japão. Hoje ex-alunos das primeiras turmas da FUMDHAM já viraram professores das novas gerações.

Potes, cubas, abajures , caqueiras, saboneteiras, xícaras e demais itens de cozinha, tudo em barro com os desenhos mais famosas das pinturas rupestres dos sítios arqueológicos locais ganharam forma e mudaram a vida de muitas famílias.

Com muitos artesãos hoje organizados numa eficiente cooperativa, o trabalho da Serra da Capivara vem ganhando destaque inclusive no exterior. Atualmente a produção mensal dos artesãos é estimada em cerca de 12 mil peças (dados de 2015), incluído nesta conta tanto o mercado interno quanto o externo. A renda média de cada artesão vem girando em torno de 1 a 2 salários mínimos. Hoje inclusive é possível encontrar muitas peças em grandes lojas de departamento do Brasil, tais como a Tok Stok e o Pão de Açúcar. No exterior, Estados Unidos e principalmente França estão entre os maiores consumidores das peças dos ceramistas locais.

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A Cerâmica da Serra da Capivara vem ganhando destaque no Brasil e no exterior.

As peças reproduzem com frequência as pinturas rupestres mais famosas como a do “beijo”, as do Boqueirão da Pedra Furada, entre outras. Além de comprar as peças, os turistas podem também conhecer o processo produtivo em visitas guiadas na sede da Cerâmica da Serra da Capivara, localizada no povoado de Barreirinho, zona rural de Coronel José Dias, um dos municípios que compõem o Parque Nacional da Serra da Capivara.

Nas visitas guiadas é possível acompanhar todo o processo, desde a preparação da argila, até a gravura dos desenhos e a queima final, feita em duas etapas, uma a 900oC com a peça ainda em barro cru e outra a 1250oC, com a peça já esmaltada.

* O Parque Nacional da Serra da Capivara estará no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.