Chegando ao Duas Lagoas


O Cabo de Santo Agostinho viu florescer nos últimos anos três novas unidades de conservação ambiental em seu território, o Parque Estadual Mata de Duas Lagoas, o Parque Estadual Mata do Zumbi e a Estação Ecológica Bita e Utinga. Todas entraram na cota de compensação do Complexo Portuário de Suape. 

Recebemos todo suporte da Coordenação do Complexo Portuário que disponibilizou alguns dos profissionais responsáveis pela segurança destas áreas e que findaram por ser excelentes guias. Nos acompanharam os inspetores Alexandre e Francisco e também contamos com a companhia do Sargento Cabral e do Soldado Gonzaga da Cipoma, que aproveitaram nossa ida pra averiguar a situação da Unidade de Conservação.

A proximidade com a civilização faz do Duas Lagoas uma área complexa e de difícil monitoramento. O Parque não possui uma sede administrativa, como Dois Irmãos, e as únicas construções existentes são ruínas das antigas casas que existiam na área. Os limites do Parque não são muito bem definidos, quase toda a extensão é composta de vegetação secundária ainda em recuperação, com caules finos e ainda espaçados.

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A CIPOMA continuou nos prestando o valioso apoio no Parque Estadual Duas Lagoas. 

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Francisco e Sargento Cabral em uma de nossas caminhadas. O Parque não possui muitas trilhas definidas mas é fácil se deslocar entre os caules espaçados.

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Trecho próximo às margens das lagoas.

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Uma das lagoas que batizaram o Parque.

Não encontramos muitos trechos de mata fechada e conseguimos nos deslocar por fora das trilhas sem maiores atropelos.

O destaque do Parque são mesmo as duas grandes lagoas que se encontram logo em sua entrada. A região era composta por sítios relativamente bem valorizados, que foram desapropriados para a institucionalização da Unidade.

As duas lagoas são separadas por um pequeno caminho de terra, tornando fácil a passagem das águas de uma para outra em períodos chuvosos.

Pela manhã e durante a tarde, as caminhadas foram feitas com objetivo de encontrar a flora e fauna local, o que se mostrou difícil, é sempre um desafio buscar algo interessante do ponto de vista ambiental em lugares de recuperação tão recente, ainda mais perto das cidades, mas fomos felizes, conseguimos belas fotos da macro e nosso ponto alto foi o flagrante de um casal de tangarás em ato de display reprodutivo.

A quantidade de aves também não foi tão vistosa. Durante os dias que lá estivemos encontramos o martim-pescador e algumas pequenas aves de mata atlântica, mas sentimos falta até mesmo de animais comuns nestas áreas, tais como galinha d’água, garças, entre outros.

Ainda tentamos ir ao ponto mais alto do Parque, para termos uma vista panorâmica das lagoas, mas não tivemos tanto sucesso. Na parte alta a vegetação era bem mais fechada, provavelmente por conta das dificuldades geográficas que impediam os antigos moradores de subir para desmatar esta parte da região.

Foram dias cansativos e de muita insistência para nós e para nossos acompanhantes do Porto de Suape e Cipoma, o que nos deixa ainda mais gratos pelo valoroso apoio. Partimos agora pra Unidade vizinha, o Parque Estadual Mata do Zumbi.

 POSTADO POR BART VAN DORP EM 10 DE DEZEMBRO DE 2014