Costa dos Corais, o início do fim

Quando começamos a pré-produção dos primeiros livros da Coleção EcoExpedições, ainda em 2012, sabíamos da longa jornada que teríamos pela frente nos mais diversos ciclos de projeto previstos, especialmente Venezuela e Pernambuco que eram os dois primeiros “mundos” escolhidos.

Pernambuco, por motivos óbvios, era um projeto que muito me animara em fazer, conhecer o “quintal” de casa muitas vezes ignorado por nós mesmos, pernambucanos.

Os dois primeiros anos foram um pouco complicados, em comum acordo com a produção, após algumas viagens, chegamos à conclusão que seria melhor aguardar um pouco para iniciar o projeto de fato, uma vez que foram anos de uma seca severa que não deixou muitas opções interessantes para fotografar especialmente as unidades sertanejas. O projeto contemplava as fotografias tanto no período de estiagem quanto de seca, mas o que vimos foi uma longa estiagem que modificou sobremaneira as UC´s sertanejas.

Finalmente, já no finalzinho de 2013 começamos a caminhada, já com o ciclo climático restabelecido, e lá fomos nós em dezembro para a primeira visita “oficial” ao Parque Nacional do Catimbau e de lá nos embrenhamos ao longo de 2014 por um mundo novo, belo e motivador das belezas naturais de nosso Estado. Pernambuco estava sendo redesenhado à nossa frente como nunca tínhamos imaginado.

Ficara de fora uma única unidade, a APA marinha da Costa dos Corais, que compreende um belo trecho do litoral sul de Pernambuco e do litoral norte de Alagoas, a qual demos uma pausa aguardando findar a importação de nosso novo equipamento de foto-sub.

Confesso que este parada até maio aguardando findar os trâmites de importação arrefeceu a empolgação inicial, até por ter começado a me dedicar a outros projetos, mas finalmente ao cair na água na última semana tive finalmente a sensação de “cair a ficha”, a Expedição Pernambuco estava chegando ao fim. No mínimo, o início do fim.

Foi impossível a cada mergulho nos mares da APA, que nesta etapa nos concentramos nas praias de Carneiros, Guadalupe e Tamandaré, não relembrar todas as histórias que cruzaram nossos caminhos durante este período de trabalhos, uma longa e prazerosa jornada que agora se encaminha pro seu desfecho.

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Apesar de ser o início do inverno (chuvas) em Pernambuco, as águas na APA estavam claras e com boa visibilidade para o período.

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Equipamento de foto sub-aquática.

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A APA Costa dos Corais na altura de Tamandaré.

Elegemos como base a cidade de Tamandaré, a CPRH que dispõe de uma bela base na cidade, abriu as portas do alojamento pra que pudéssemos nos hospedar. Maio não é o mês mais indicado pra fotos sub no litoral pernambucano em virtude de ser o início do “inverno” e das chuvas da região, mas a visibilidade estava assustadoramente boa para o período.

Os mares da APA não se chamam de “Costa dos Corais” à toa, eles, os corais, estão por toda parte, ora mortos, ora multicoloridos, servem de base pra alimentação de diversas espécies de peixes que povoam as águas quentes do local.

A APA por ser de uso sustentável é também largamente usada para pesca, exceto o lado do sul de Tamandaré, onde há boias que delimitam uma área de proteção integral onde as embarcações podem apenas atravessar, sem atracar ou pescar.

Optamos nesta primeira viagem à APA em nos concentrar nos corais mais próximos da costa e ficamos numa profundidade de 1 a 7 metros, de forma que foi mais interessante trabalhar no mergulho em apneia. Vez ou outra encontrávamos com outros mergulhadores que estavam a caçar peixes e moluscos, como o polvo, facilmente encontrados por aqui.

Obviamente vamos retornar à APA no mês de setembro, quando o verão dá as caras e teremos uma visibilidade ainda melhor, onde inclusive vamos buscar os corais mais profundos já que estes apenas com um pouco mais de nitidez poderão ser fotografados com qualidade, mas já deu pra começar a sentir o gosto da despedida. Também teremos outras viagens já marcadas em outros projetos pra Fernando de Noronha e pro Catimbau que obviamente continuarão a nos fornecer belas imagens pro Expedição Pernambuco.

Nossos agradecimentos ao Paulo, do ICMBio, gestor da APA Costa dos Corais, que nos enriqueceu com várias informações as quais facilitaram sobremaneira nosso planejamento, e em especial à Joany e à Débora da CPRH, pelo eterno e eficiente apoio que a entidade vem prestando ao nosso projeto.

O verão de 2015, no segundo semestre, marcará também nossas últimas viagens do projeto. O fim de um ciclo, com certeza o nascimento de outros tão enriquecedores quanto este que se encaminha para seu fim.

POSTADO POR LUIZ NETTO EM 22 DE MAIO DE 2015