Desembarcando na Cachoeira do Urubu

O Parque Ecológico Cachoeira do Urubu era a única unidade de conservação estadual na nossa lista de visitas do projeto, mas não menos importante que as outras. Por suas dimensões, bem inferior às federais, também seria a que iríamos passar menos tempo, mas isso também estava longe de criar menos expectativas.

Eu e Chico tivemos que nos separar momentaneamente em virtude de compromissos profissionais que ele teria em sua Parnaíba. Já era algo planejado e não nos traria maiores problemas. Me ver “sozinho” em meio à natureza também é dos programas que mais gosto de fazer na vida, mas a verdade é que pelos diversos contatos que tivemos previamente com a Prefeitura de Esperantina, cidade onde fica o Parque, eu já sabia que estaria muito longe de ficar sozinho por lá.

O apoio da Prefeitura de Esperantina, por sinal, merece todo destaque, especialmente o suporte dos meus mais novos amigos, Jésus e Seu Godofredo, este último nosso guia na maior parte do tempo em que cruzamos os arredores da Cachoeira do Urubu.

O Parque possui uma boa estrutura, com alguns bares na frente da atração principal, que é a cachoeira que dá nome à unidade de conservação. A Cachoeira do Urubu por sinal possui grandes passarelas que possibilitam cruzar de um lado a outro de seu cânion, que divide as cidades de Esperantina e Batalha.

A região da cachoeira finda por ser “a praia”, um balneário muito procurado no período das águas mais fortes pelos moradores da região. Obviamente, a unidade de conservação vai muito além da Cachoeira do Urubu, envolve centenas de hectares de seus arredores e era este, sem dúvidas, nosso maior objetivo.

O local é conhecido por um forte ciclo de águas, que faz a cachoeira alternar períodos voluptuosos em termos de quantidade de água, a dias de seca total. Estive por aqui há cerca de três anos, durante um outro trabalho e a frustração de ter visto o Urubu sem um único pingo d´água foi parcialmente sanada nesta visita.

O local ainda não estava repleto de águas como nas fotos que já havia visto em minhas pesquisas pré-projeto, mas já dava sinais que a seca que marcou o sertão nestes últimos 5 anos, entre idas e vindas, sinalizava um certo arrefecimento, possibilitando belas fotos com a Cachoeira do Urubu já com uma relativa quantidade de água.

Conviver com Seu Godofredo foi uma história à parte. O “bom velhinho”, sósia do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, guardava em suas memórias riquezas de detalhes da história de ambas as cidades e de toda região do Urubu. Confesso que quando o Jésus me apanhou no hotel no primeiro dia (e sim, pude me dar ao luxo de ficar na cidade, uma vez que o Parque era bem próximo de Esperantina), achei engraçado ver que aquele senhor que apanhamos em seguida seria nosso guia, cheguei momentaneamente a duvidar que ele aguentaria nosso ritmo frenético de caminhadas ininterruptas ao longo dos dias, mas a verdade é que nunca me enganei tanto (ainda bem!) sobre alguém.

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Com Jésus e Seu Godofredo, na entrada do Parque.

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Cachoeira do Urubu começando a recuperar seu volume de águas.

Entre um cigarro de palha e outro, Seu Godofredo era incansável, profundo conhecedor também de cada pedra dos cânions da Cachoeira Urubu, nos levou aos mais belos locais do Parque, com suas pequenas cavernas, belas falésias e algumas fazendas do entorno.

A verdade é que o Parque, longe de seu balneário de entrada, não possui seus limites muito bem definidos. Encontrar grandes exemplares da fauna é, obviamente, quase impossível, dado o grande fluxo de pessoas na sua região, no último dia em que por aqui estivemos acontecia inclusive uma prova de Mountain Bike com dezenas de ciclistas do Piauí cruzando a área protegida, mas isso não nos impediu de encontrar algumas belas aves e alguns répteis de maior parte, isso quando Seu Godofredo não começava a contar as dezenas (isto mesmo dezenas) de histórias de fantasmas e assombrações que dizia já ter encontrado, conversado e encontrado de novo em cada um dos lugares da Cachoeira do Urubu. A cada 50 metros ele fazia questão de descrever a “mulher gigante vestida de branco”, o “homem negro de terno que fumava um cachimbo”, dentre outras figuras fantasmagóricas que ele teria encontrado pelas noites de Esperantina. O Bom Velhinho certamente vai deixar muitas saudades na Expedição Piauí.

O Parque Ecológico Cachoeira do Urubu é um destino menos badalado de uma área relativamente bem estruturada para o turismo, próxima do Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí, e do Parque Nacional de Ubajara, no Ceará. Quem vier visitar estes locais deve sim dar uma “esticada” até Esperantina. A cidade é pequena, mas muito acolhedora, especialmente se estivermos no período de chuvas, quando a Cachoeira do Urubu está em toda sua plenitude (não por acaso escolhida recentemente uma das sete maravilhas do estado do Piauí).

Daqui partimos para Pirpiri, rumo ao Parque Nacional de Sete Cidades, onde volto a me encontrar com Chico para seguir nesta jornada.

POSTADO POR LUIZ NETTO EM 13 de DEZEMBRO DE 2015