Em busca das capivaras

 

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Dois Irmãos, como esperado, foi destino batido neste nosso projeto. Já o seria, mesmo se o projeto não existisse, pois vez ou outra, venho desenferrujar minhas lentes por aqui, quase sempre acompanhado de meu velho amigo Silvino, figura também repetida aqui neste blog.

Ao longo da semana ele já havia me avisado, que as capivaras voltaram a aparecer no Açude Dois-Irmãos e que estavam inclusive com uma linda ninhada de nove filhotes. Eu e Bart tínhamos várias fotos de capivaras em liberdade na região do Parque, mas não tínhamos com filhotes. Claro que trata-se de um animal corriqueiro na fauna brasileira, mas ter deles vivendo tão tranquilamente dentro do Recife e com uma ninhada deste tamanho tem claramente outro impacto.

Chegamos cedíssimo ao Parque, Silvino como de costume já havia conversado com todos no local sobres nossa chegada. Como a entrada do Parque coincide com a entrada do zoológico da cidade, é importante pra fotografar chegar antes da abertura do zoo. Essas poucas horas de silêncio são fundamentais para boas imagens, especialmente neste dia que fomos pra lá exclusivamente pra tentar  achar esta família de capivaras que quando aparece é no açude próximo ao zoo.

Já na chegada vimos uma delas nadando solitária nadando próxima à antiga Ilha dos Macacos, ilhota localizada dentro do Açude que no passado era uma “jaula ao ar livre” com vários macacos-prego, mas hoje está um tanto desabitada. A capivara solitária nos deu boas imagens, mas nada comparado à família que não tardou a aparecer.

Assim que a mãe saiu da água, em fila indiana saíram os nove filhotes. Estavam todos lá, mas no chamou a atenção um grande ferimento que um deles tinha no rosto. Silvino estava particularmente radiante com o fato de voltar a ver os animais nascendo no “seu” Parque, já havia me confidenciado que estava preocupado com o aumento da caça nas redondezas. Há anos não via uma família tão grande por ali. Por um instante discutimos se o ferimento seria uma tentativa frustrada de algum caçador, mas em seguida ao examinar, mesmo de longe, parecia mais um ataque de jacaré ou mesmo uma acidente em alguma vegetação. Um caçador que acertasse um filhote daquele na cabeça daquela maneira fatalmente não teria deixado o animal fugir.

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Seguimos a família de capivaras por cerca de duas horas. Logo se acostumaram com nossa presença, não a ponto de chegar a poucos metros, mas o suficiente pra teleobjetiva nos deixar “dentro” da família. Tivemos tempo o suficiente pra fotografar os filhotes brincando, nadando com a mãe e fugindo dos fotógrafos intrusos que tentaram se aproximar um pouco além da conta.

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Ainda encontramos algumas arirambas, os já habituais patos-mergulhão, jaçanãs, galinhas d’água e outras aves comuns nos rios recifenses, além de uma tentativa frustrada de encontrar a família de quatis que apareceu por lá na semana passada, perto da portaria, mas que com a volta das chuvas não deu mais sinal de vida.

E assim é Dois Irmãos, cada vinda uma surpresa melhor que a outra. Silvino continua indo com freqüência ao Parque, está acompanhando o crescimento dos filhotes. Em breve espero ter boas notícias sobre isso, mas aparentemente a população destes animais está voltando a crescer na região metropolitana do Recife, o que é um alento para nossos ecossistemas mais urbanos, já tão pressionado pelas nossas ações desenfreadas.

 POSTADO POR LUIZ NETTO EM DE 12 NOVEMBRO DE 2014