Espécies ameaçadas do Delta do Parnaíba

Por Roseanny Carvalho
Fotos: Chico Rasta, Luiz Netto e Vinícius França

As duas unidades de conservação do Delta do Parnaíba (APA e Resex)* protegem muitas das maiores riquezas da biodiversidade brasileira. Confira a seguir algumas espécies ameaçadas que podem ser encontradas nestas unidades. 

Guariba ou Capelão

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O Alouatta ululata, mais conhecido com guariba ou bugio, é um primata da família Atelidae. Nativo da região Nordeste do Brasil, pode ser encontrado nem vários de seus estados.

O guariba apresenta um peso médio de 7 quilos e chegam a viver cerca de 20 anos. Seu bando apresenta uma média de 4 a 11 indivíduos, tendo como líder o macho mais velho, que recebe o nome de capelão. O macho tende a ter os pelos ruivos, enquanto a fêmea possui cor amarelo-escuro.

Sua alimentação é composta por brotos, frutos, folhas e flores. Podem ser visto comendo pendurado por sua cauda, considerado seu quinto membro. Mas não é só para comer que eles fazem uso da cauda, também para se locomoverem, indo de um galho a outro.

Costumam viver em florestas tropicais, mangues e caatinga, tendo preferência por matas próximas aos lugares mais úmidos, evitando áreas secas e com a presença do homem.

Estando na lista de animais em extinção, o guariba tem como ameaças a expansão agropecuária e imobiliária, que avançam cada vez mais destruindo seu habitat natural. Outras ameaças à sua vida são a caçam – que é forte nos Estados do Ceará e Maranhão – e o tráfico, onde não resistem ao cativeiro.

Estima-se que existam 2.500 indivíduos maduros desta espécie, estando grande parte desta população no Delta do Parnaíba.

 

Peixe-serra

Pode até parecer, mas o peixe-serra (Pristis pectinata) não é um tubarão. Ele pertence à família das arraias.

Tem como principal característica o rosto alongado semelhante a uma lâmina, que é usado para caçar seu alimento, travar duelos com animais da mesma espécie e como arma de defesa quando se sente ameaçado por tubarões. Sua coloração dorsal pode variar entre cinza-escuro e marrom, enquanto sua parte inferior varia de branco a um amarelo-claro.

Tem aproximadamente 7,6 metros de comprimento, sendo que 1,5 metro corresponde a sua serra, e chegam a pesar cerca de 350 quilos. Sua estimativa de vida é de 30 anos.

Habitam em áreas costeiras e manguezais, podendo ser visto em águas profundas e em rios. Outros locais onde podem ser encontrado são em baías e lagoas.

O peixe-serra é muito caçado pelo homem, que busca sua serra para adorno e outros fins, e o óleo para fazer produtos de higiene e até medicamentos. Desde 2004, o órgão internacional Convention on International Trade in Endangered Species (CITES) considera a comercialização dessa espécie como crime.

 

Tartaruga-de-couro
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Dermochelys coriácea, conhecida vulgarmente por tartaruga-de-couro ou tartaruga-gigante, é a maior espécie de tartaruga chegando a medir cerca de 2 metros de comprimento e pesar uma média de 700 quilos, embora exista registro de tartarugas com cerca de 3 metros e 900 quilos.

Possui um casco composto por uma fina, resistente e macia camada de pele muito parecida com couro (de onde vem seu nome popular), placas de ossos pequenas que formam sete quilhas em todo seu comprimento e cor entre cinza e preto com manchinhas brancas. Sua longeva estimativa de vida é de 200 a 300 anos.

A tartaruga-de-couro vive em áreas oceânicas mais profundas, podendo e apenas se aproximam da costa para desovar e buscar alimento. No Brasil, essa espécie desova com frequência no Estado do Piauí, na região do Delta do Parnaíba, e no Estado do Espírito Santo, em locais como a Praia de Regência.

Alimentam-se especialmente de águas-vivas e medusas. Por se parecer com seu alimento, as tartarugas costumam ingerir plástico. Esse fator tem provocado a morte de muitos seres dessa espécie.

Existem ainda outras agravantes que tem ameaçado a vida desse animal: a destruição dos locais de desova, da poluição das áreas em que habita e da pesca acidental. Essa condição põe essa espécie na lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais), que a considera criticamente ameaçada de extinção.

 

Peixe-boi-marinho

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O peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) é uma criatura muito dócil e encantadora, apesar do seu tamanho, com aproximadamente 4 metros de comprimentos e com peso médio de 600 quilos, muito bem distribuído e coberto por uma pele cheia de rugas e de cor marrom-acinzentado.

Por ser um animal herbívoro, o seu cardápio é composto por algas marinhas, folhas de manguezais e, principalmente, capim-agulha. Chegam a consumir cerca 60 quilos diários de plantas aquáticas na sua fase adulta.

Sendo esta espécie considerada solitária, o horário da alimentação é um dos momentos em que o peixe-boi-marinho é visto em grupo e nos períodos de acasalamentos. As fêmeas são uma exceção sendo vista, depois de gestação, na companhia do seu filhote. As águas calmas e rasas, como rios e mangues, são o berçário desses filhotes.

Devido à destruição de seu habitat natural dada pela construção de empreendimentos dedicados ao turismo, fazendas de criação de camarões e barragens, a caça e pesca predatória também têm levado muitos à morte.

Estima-se que há cerca de 130.000 animais dessa espécie espalhado pelo mundo. No Brasil, segundo a Fundação Mamíferos Aquáticos, existem hoje cerca de 1.000 indivíduos, onde boa parte dessa população está localizados no Estado do Piauí – o que contribuiu para a criação da APA do Delta do Parnaíba. Hoje há uma forte movimento de lideranças locais para a área da APA nos arredores do município de Cajueiro da Praia ser transformado em Refúgio de Vida Silvestre – RVS, modalidade de unidade de conservação bem mais restritiva.

Atualmente, o monitoramento da espécie em Cajueiro da Praia é feito pelo Projeto Pesca Solidária.

 

Mero
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O mero (Epinephelus itajara) é uma das espécies marinhas mais ameaçadas da costa brasileira. Em geral, habita águas tropicais e subtropicais de todo o oceano Atlântico, também sendo encontrada em zonas estuarinas (mangues) e costões rochosos como naufrágios, pilares, entre outros.

Seu nome científico foi dado por um pesquisador alemão que visitou o Brasil ainda no século XIX e quer dizer “Senhor dos Mares” em Tupi-Guarani (ita, pedras, e jara, senhor).

Quando se fala do Mero, falamos de números e dimensões fora dos padrões para os peixes. A espécie pode viver a até 100 metros de profundidade e chegar a 40 anos de vida, atingindo a maturidade sexual com apenas 4 anos de idade. Há registros de animais com mais de 2 metros de comprimento na fase adulta.

Os meros estão protegidos da pesca há mais de dez anos em todo o Golfo do México, mas somente em 2002 recebeu proteção especifica no Brasil, quando se tornou um primeiro peixe marinho a receber uma moratória de pesca válida por 5 anos. Em 2007, a moratória do IBAMA fora prorrogada por mais 5 anos e hoje a espécie é completamente protegida, sendo ilegal sua pesca, comércio e afins.

* A APA e a RESEX do Delta do Parnaíba estarão no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.