Espécies ameaçadas do Parque Nacional da Serra das Confusões

Por Fred França
Fotos: Bart van Dorp e Chico Rasta

A grandeza do Parque Nacional da Serra das Confusões é ainda maior quando analisamos a quantidade de espécies ameaçadas de extinção que encontram guarida em seu território. Conheça algumas delas a seguir.

Onça-pintada (Panthera onca)

Jaguar (onça-pintada em português), Hotel Fazenda San francisco, Miranda, Mato Grosso do Sul, Brazil

Maior felino das Américas, um ícone e um símbolo para o Brasil, quase que uma divindade em muitas das culturas indígenas e ancestrais. A onça é um animal de topo de cadeia, sem predadores no meio natural, exceto o homem, motivo pelo qual sua presença numa área de preservação é um bom indicador da qualidade ambiental da região.

No Piauí, há registros das onças em algumas das unidades de conservação do sul do estado, como o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba e o Parque Nacional da Serra das Confusões.

A espécie pode chegar a 135 kg, desbancando sua parente mais próxima, a onça-parda, que chega próximo aos 80kg. A força de sua mordida inclusive é considerada a mais potente dentre todos os felinos do mundo, superando as grandes espécies africanas e asiáticas.

Apresenta duas colorações típicas, o amarelo-dourado com pintas pretas, similar ao leopardo africano, e o preto predominante. Mesmo nos animais pretos é possível visualizar suas famosas pintas em locais de iluminação oblíqua.

Sua área de distribuição, que outrora atingiu até o sudoeste do Estados Unidos, hoje está limitada à América Latina, especialmente o Brasil, seu maior reduto. Por aqui sua maior incidência é no norte, nordeste e no centro-oeste, aproveitando-se das proteções de grandes coberturas verdes da Amazônia e do Pantanal, respectivamente, mas também sendo possível ser encontrada no cerrado e na caatinga.

É um animal de hábitos solitários e, assim como a maioria dos felinos, possui maior atividade do entardecer para a noite.

 

Onça-parda (Puma concolor)

A depender da região também chamada de puma, suçuarana e leão-da-montanha, a onça-parda é o segundo maior felino das Américas, perdendo em tamanho apenas para sua prima próxima, a onça-pintada. Mais comum na região nordeste que a pintada, a onça-parda é encontrada em praticamente todas as unidades de conservação do sul e sudeste do Piauí.

A espécie pode ultrapassar 1 metro de comprimento mais a cauda, 63 cm de altura e 80kg. Além da pelagem tradicional, bege-rosado, também pode ser encontrada em tonalidades mais neutras como o cinza e o marrom. Sua ampla área de atuação e de biomas também interfere no volume da pelagem, sendo possível encontrar animais de pelo mais curto e mais longo a depender da região.

Sua área de abrangência é mais extensa que a da onça-pintada, sendo encontrada em praticamente toda a América do Sul, América Central e boa parte da América do Norte, até o sul do Canadá.

Assim como a pintada é solitária e noturna.


Tatu-canastra (Priodonte maximus)

O tatu-canastra é a maior e mais rara espécie de tatu do mundo, podendo chegar a até 1,5 metros de comprimento e até 60kg. Sua maior área de ocorrência é o cerrado brasileiro, podendo ser encontrado esporadicamente em outros biomas.

Não há dados consistentes da população atual, mas a diminuição do número de avistamentos nas últimas décadas apontam para a vulnerabilidade da espécie muito caçada por conta da qualidade de sua carne e pela carapaça resistente, muito utilizada para a fabricação de utensílios.

A dificuldade de avistamento e estudos da espécie se deve principalmente por conta de seus hábitos. Apesar do tamanho, é um animal semifossorial (passam a maior parte do tempo abaixo do solo) e de hábitos noturnos.

Dos mamíferos de grande porte do Brasil, é certamente o animal que menos se estudou e que menos se tem conhecimento, entretanto, é sabido que se alimentam predominantemente de cupins e formigas, construindo suas tocas próximas às colônias destes bichos.


Tatu-bola

Conhecido como tatu-apara ou tatu-bola-do-nordeste, o tatu-bola é a única espécie endêmica de tatus e a menor do Brasil, podendo ser encontrado somente na Caatinga e no Cerrado.

Tem aproximadamente 50 cm e chega a pesar cerca de 1,2 kg. Quando se sente ameaçado fecha todo seu corpo, ficando na forma de uma bola, o que protege as partes moles de seu corpo contra o ataque de predadores. Devido a essa capacidade foi que surgiu seu nome popular.

O tatu-bola é um animal de hábitos noturnos e se alimenta de formigas e cupins, podendo consumir certa quantidade de areia, cascas e raízes junto ao alimento. A falta habilidade cavadora, tendo como única defesa a de se enrolar em si, o torna vulnerável, podendo ser facilmente capturado.

A espécie se encontra na lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, do Ministério do Meio Ambiente. No Estado de Minas Gerias ela é considerada criticamente ameaçada. Além da caça, a perda do seu habitat natural são tidos como as principais ameaças à espécie. A sua carne, muito apreciada nas regiões onde vive, é o principal motivo da sua caça. 


Jacucaca

A jacucaca é uma ave endêmica do Brasil, sendo a maior espécie de cracídeo, vivendo preferencialmente na caatinga e cerrado do Nordeste e em Minas Gerais, próximo da costa em alguns locais. Penelope jacucaca é seu nome científico e significa “ave com pequena crista”.

Jacucaca (Penelope jacucaca) - Caxingo_ PI 02 edit

A Jacucaca, além de ameaçada, é bem arisca. É uma ave grande, podendo medir 73 centímetros. Sua cor é de um canela bem escuro, com riscos brancos, testa preta e penas do peito orladas de branco. Vive sobre a terra e, quando corre, mostra o dorso bronze-brilhante.

Considerada ameaçada de extinção pela IUCN devido especialmente à perda do seu habitat natural  e à caça indiscriminada.


* O Parque Nacional da Serra das Confusões estará no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.