Espécies ameaçadas do Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba

Por Fred França
Fotos: Luiz Netto e Bart van Dorp

O Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba protege uma grande área do cerrado brasileiro, incluindo-se diversos dos grandes exemplares da mastofauna brasileira, quase sempre ameaçada de extinção. Confira a seguir algumas das espécies que encontram refúgio no Parque.

Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

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Primo do cão doméstico, o guará, maior canídeo das Américas, é o animal símbolo do cerrado brasileiro. Seu tempo médio de vida na natureza é de cerca de 15 anos e sua gestação, com a média de dois filhotes, é de pouco mais de dois meses.

O termo “lobo” de seu nome popular se refere muito mais a sua aparência física, que a seu temperamento. Ao contrário do imaginário coletivo das valentes alcateias, o guará é solitário, costuma ter muito medo do homem e sempre que possível evita contato. Inofensivo, não costumam haver registros de ataques a seres humanos, mesmo este sendo o seu principal predador em território brasileiro, seja através da caça ilegal, seja em atropelamentos nas rodovias, entre outros.

É um animal de hábitos prioritariamente noturnos, podendo ser encontrado também nos fins de tarde.

Onça-pintada (Panthera onca)

Jaguar (onça-pintada em português), Hotel Fazenda San francisco, Miranda, Mato Grosso do Sul, Brazil

Maior felino das Américas, um ícone e um símbolo para o Brasil, quase que uma divindade em muitas das culturas indígenas e ancestrais. A onça é um animal de topo de cadeia, sem predadores no meio natural, exceto o homem, motivo pelo qual sua presença numa área de preservação é um bom indicador da qualidade ambiental da região.

No Piauí, há registros das onças em algumas das unidades de conservação do sul do estado, como o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba e o Parque Nacional da Serra das Confusões.

A espécie pode chegar a 135 kg, desbancando sua parente mais próxima, a onça-parda, que chega próximo aos 80kg. A força de sua mordida inclusive é considerada a mais potente dentre todos os felinos do mundo, superando as grandes espécies africanas e asiáticas.

Apresenta duas colorações típicas, o amarelo-dourado com pintas pretas, similar ao leopardo africano, e o preto predominante. Mesmo nos animais pretos é possível visualizar suas famosas pintas em locais de iluminação oblíqua.

Sua área de distribuição, que outrora atingiu até o sudoeste do Estados Unidos, hoje está limitada à América Latina, especialmente o Brasil, seu maior reduto. Por aqui sua maior incidência é no norte e no centro-oeste, aproveitando-se das proteções de grandes coberturas verdes da Amazônia e do Pantanal, respectivamente.

É um animal de hábitos solitários e, assim como a maioria dos felinos, possui maior atividade do entardecer para a noite.


Onça-parda (Puma concolor)

A depender da região também chamada de puma, suçuarana e leão-da-montanha, a onça-parda é o segundo maior felino das Américas, perdendo em tamanho apenas para sua prima próxima, a onça-pintada. Mais comum na região nordeste que a pintada, a onça-parda é encontrada em praticamente todas as unidades de conservação do sul e sudeste do Piauí.

A espécie pode ultrapassar 1 metro de comprimento mais a cauda, 63 cm de altura e 80kg. Além da pelagem tradicional, bege-rosado, também pode ser encontrada em tonalidades mais neutras como o cinza e o marrom. Sua ampla área de atuação e de biomas também interfere no volume da pelagem, sendo possível encontrar animais de pelo mais curto e mais longo a depender da região.

Sua área de abrangência é mais extensa que a da onça-pintada, sendo encontrada em praticamente toda a América do Sul, América Central e boa parte da América do Norte, até o sul do Canadá.

Assim como a pintada é solitária e noturna.

Tatu-canastra (Priodonte maximus)

O tatu-canastra é a maior e mais rara espécie de tatu do mundo, podendo chegar a até 1,5 metros de comprimento e até 60kg. Sua maior área de ocorrência é o cerrado brasileiro, podendo ser encontrado esporadicamente em outros biomas.

Não há dados consistentes da população atual, mas a diminuição do número de avistamentos nas últimas décadas apontam para a vulnerabilidade da espécie muito caçada por conta da qualidade de sua carne e pela carapaça resistente, muito utilizada para a fabricação de utensílios.

A dificuldade de avistamento e estudos da espécie se deve principalmente por conta de seus hábitos. Apesar do tamanho, é um animal semifossorial (passam a maior parte do tempo abaixo do solo) e de hábitos noturnos.

Dos mamíferos de grande porte do Brasil, é certamente o animal que menos se estudou e que menos se tem conhecimento, entretanto, é sabido que se alimentam predominantemente de cupins e formigas, construindo suas tocas próximas às colônias destes bichos.

* O Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba estará no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.