Espécies ameaçadas em Uruçui-Una

Por Fred França
Fotos: Luiz Netto

A Estação Ecológica de Uruçui-Una* protege grandes exemplares ameaçados de extinção na fauna brasileira. Conheça algumas destas espécies.

Logo-guará (Chrysocyon brachyurus)

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Primo do cão doméstico, o guará, maior canídeo das Américas, é o animal símbolo do cerrado brasileiro. Seu tempo médio de vida na natureza é de cerca de 15 anos e sua gestação, com a média de dois filhotes, é de pouco mais de dois meses.

O termo “lobo” de seu nome popular se refere muito mais a sua aparência física, que a seu temperamento. Ao contrário do imaginário coletivo das valentes alcateias, o guará é solitário, costuma ter muito medo do homem e sempre que possível evita contato. Inofensivo, não costumam haver registros de ataques a seres humanos, mesmo este sendo o seu principal predador em território brasileiro, seja através da caça ilegal, seja em atropelamentos nas rodovias, entre outros.

É um animal de hábitos prioritariamente noturnos, podendo ser encontrado também nos fins de tarde.

 

Arra-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus)

A mais rara das grandes araras brasileiras encontra refúgio nas grandes unidades de conservação do sudoeste piauiense, não sendo tão difícil encontrá-las por lá. A Anodorhynchus hyacinthinus é também a maior espécie dentre os psitacídeos, podendo chegar a mais de um metro da ponta do bico à ponta da cauda.

Como a maioria das araras, voam principalmente aos pares, podendo também formar grupos sociais, não sendo raro encontrar grandes grupos em “árvores dormitórios”.

A espécie costuma constituir família a partir dos sete anos de idade, sendo a fêmea responsável por cuidar dos ninhos e o macho responsável por alimentar a família durante o período de reprodução, ficando o filhote dependente do pai para comida durante os seis primeiros meses de vida. Normalmente nascem dois filhotes, mas, em geral, apenas um deles sobrevive.

Além do cerrado, estas araras costumam ser encontradas ainda com certa facilidade no pantanal. A degradação de seu habitat , a caça ilegal e o tráfico de animais são as principais ameaças da espécie.

 

Ema (Rhea americana)

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Maior ave brasileira, a ema vem sendo utilizada em algumas produções comerciais, tal qual acontece com seu parente africano, o avestruz. Na natureza, entretanto, a espécie enfrenta severos problemas pela perda de seu habitat e pela caça ilegal.

Alguns exemplares da espécie chegam a ultrapassar 1,70 de altura e se alimentam principalmente de folhas, frutos e pequenos animais, como rãs e lagartos.

Em liberdade, a espécie costuma viver em grupo e atingem a vida adulta e maturidade sexual aos dois anos. Seus ovos, também alvo de coleta ilegal, chega a pesar 600 gramas. Apesar da fêmea chocar os ovos, é o pai que costuma cuidar dos filhotes.

* A Estação Ecológica de Uruçuí-Una estará no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.