Expedição Ceará desembarca em Fortaleza

Já falei aqui, em outras postagens dos blogs da EcoExpedições, o quanto florestas urbanas me atraem. Há sempre um quê de resistência e de luta pela sobrevivência em sua própria razão de existir, sempre cercada pela selva de pedras por todos os lados.

Para além de minhas sensações pessoais, há a óbvia relevância ambiental, biológica e social que elas trazem às sociedades em que está inserida. Para Fortaleza, o Parque Estadual do Cocó é essencial, espalhado em forma longitudinal ao longo da metrópole, é a grande reserva verde do município, mantendo muito da vegetação nativa da Mata Atlântica, restingas e dunas.

Há na verdade um mosaico de unidades de conservação estaduais e municipais, inclusive com algumas sobreposições, mas, sem dúvidas, é o Cocó a UC de maior relevância. A unidade inclusive possui uma área aberta à visitação com um grande número de vigilantes e rondas por parte da PM do Ceará. Para muitos, das áreas mais seguras da cidade e, não obstante, muito frequentada por moradores das redondezas.

Chegamos a uma Fortaleza chuvosa e para adiantar os trabalhos começamos logo pela área de visitação livre. O tempo dançando entre o nublado e as chuvas torrenciais afugentaram os contumazes frequentadores.  Pra nós, apesar de molhado, seria um ótimo dia.

Fomos recebidos pelo meu amigo Gabriel Aguiar, parceiro em outras empreitadas e profundo conhecedor das UC´s urbanas do Ceará, foco inclusive se seu trabalho de mestrado em reta final. Uma oportunidade ímpar inclusive que tivemos de acompanhar o mapeamento da fauna de mamíferos do Cocó, o qual vem realizando há alguns anos.

Apesar de aberta ao grande público, e enfrentar naturalmente os problemas habituais de UC´s com este perfil, como fauna invasora (especialmente gatos domésticos e ratos) a parte mais urbana do Cocó tem seus predicados. Vegetação de altas copas, belos lagos com diversas aves, uma grande população de saguis, entre outros, trazem um pouco do brilho do que a UC guarda.

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Sede do Cocó é bastante sinalizada e fiscalizada pela polícia local.

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O Parque Estadual do Cocó encontra-se no coração de uma das maiores metrópoles do país.

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Os rios e igarapés do Cocó são as melhores vias para se chegar em seus locais mais isolados.

Gabriel havia colocado que seu monitoramento de fauna, especialmente as armadilhas que vem espalhando pelo Parque, não capturam muitas espécies naquela região, sendo a área mais próxima da famosa Duna da Sabiaguaba a que mais obteve sucesso com a captura de uma infinidade de cassacos e até pequenas raposas.

Era por lá que rodaríamos nos dias seguintes. As fortes chuvas impediram bastante o encontro com a fauna urbana cearense. Acompanhar os trabalhos de campo da dissertação de mestrado de Gabriel era uma chance a mais de conseguir algum bicho, mas nas dezenas de armadilhas espalhadas, não obtivemos sucesso em nenhum dos dias.

A chuva ajudou apenas em boa parte das paisagens, particularmente gosto de algumas nuvens mais dramáticas em algumas fotos e especialmente pra amenizar o calor que castiga esse canto do litoral brasileiro.

O Cocó encanta em vários aspectos. Também a se destacar os momentos que passamos cruzando os canais até a foz do Rio Cocó. Embarcado e nos locais mais distantes das áreas mais urbanas (sim, existem áreas assim) é onde é possível ver o Parque em sua plenitude, com uma grande vastidão de aves à procura de comida. Em muitos momentos, as árvores cobrem até mesmo a linha de visada do topo dos prédios dos seus arredores, dando a nítida sensação que estamos em qualquer outro lugar que não seja uma das principais metrópoles do país.

Profundo conhecedor de suas águas é o tenente reformado da PM do Ceará, o Sr. Araújo, que nos guiou pelas águas do Cocó, com direito a uma aula, a seu modo, de todo ecossistema. Ele hoje trabalha de forma voluntária limpando diariamente a unidade de conservação. Mais um guerreiro da luta ambiental que cruza os caminhos da EcoExpedições e tanto nos ensina.

Ainda tivemos tempo de visitar outras UC´s estaduais e municipais do mosaico urbano de Fortaleza, como a ARIE das Dunas Milenares do Cocó, um dos mais antigos conjuntos dunares de Fortaleza e que sofre, da mesma forma, com o aumento da pressão imobiliária.

Nossa jornada por Fortaleza está apenas começando. O Cocó foi apenas a primeira parada. Daqui seguimos para o Parque Estadual Botânico, na vizinha cidade de Caucaia.

POSTADO POR LUIZ NETTO.