Expedição Pernambuco: a “última” viagem

O gosto da despedida das incontáveis e inesquecíveis viagens de nosso projeto “Expedição Pernambuco” já havia dado os ares da graça quando desembarcamos em maio passado na APA da Costa dos Corais, última unidade de conservação (UC) prevista pra ser fotografada no projeto.

Apesar de oficialmente ser um período em que começam as chuvas e a turbidez das águas no litoral sul pernambucano, este ano, atipicamente, até o fim de maio tivemos excelentes níveis de visibilidade, o que nos permitiu adiantar boa parte dos trabalhos.

Por mais que os resultados já tenham sido deveras proveitosos, voltar à APA no nosso “verão” ainda haveria de ser programa obrigatório pra fechar com chave de ouro, não só pra sessões de foto subaquáticas em outros pontos que não estavam com visibilidade tão boa em maio, como também para percorrer trechos do litoral da APA ainda não visitados.

A Costa dos Corais é a segunda maior unidade de conservação pernambucana, perdendo apenas em tamanho pra APA da Chapada do Araripe, e em ambas tivemos que realizar um rebuscado trabalho de pesquisa pra focar as visitas nos pontos principais e mais relevantes das UC´s, dada a impossibilidade de percorrer 100% de sua extensão nas pouco mais de uma semana que dispúnhamos pra cada uma delas.

Trechos importantes como Várzea do Una, Praia de Gravatá, Guadalupe e até mesmo a famosa Praia dos Carneiros ainda careciam de um pouco mais de nossa presença em suas águas.

A melhor visibilidade da parte mais próxima da costa é mesmo nas imediações de Tamandaré, o que não nos impediu de buscar imagens em outros locais. Até mesmo Carneiros, conhecida internacionalmente por suas águas mornas e claras, à medida que se aproxima da foz do Rio Ariquindá, começa naturalmente a mudar suas características.

Os mares da Costa dos Corais apresentam a notória calma da vida marinha, em contraponto ao ritmo turístico frenético de algumas de suas praias recheadas de resorts, bangalôs e casas de veraneio de alto padrão. Dos corais, que dão nome à UC, muitos já se encontram mortos em decorrência principalmente do aumento da temperatura dos mares, o que não impede de nos depararmos com belos exemplares de espécies ameaçadas, como o coral-de-fogo, ainda encontrado na APA com certa facilidade.

Visitamos pontualmente os locais mapeados que ainda sentíamos falta, começando pela paradisíaca Praia de Gravatá e a foz do Rio Una, ambas já próximas da divisa com o estado de Alagoas, onde a APA continua ao longo de incontáveis praias.

Gravatá permanece ainda com um aspecto bucólico, praticamente sem construções no litoral, apesar de já haver trâmites pra implantação de um grande resort na região. Várzea do Una segue na mesma linha, com suas praias protegidas ainda pelo estuário do Rio Una.

Em Carneiros tivemos, claro, que lidar com centenas e centenas de turistas. Fotografar a praia como veio ao mundo só nas primeiras horas da manhã, quando poucos se atrevem a sair de casa. Carneiros é uma praia com acesso privado, mas há alguns anos a Prefeitura de Tamandaré “oficializou” seu início a partir do Hotel Marinas, para garantir ao menos um acesso público à Praia, apesar de quase todos visitantes optarem mesmo pelos acessos privados dos inúmeros bangalôs e bares existentes, sempre lotados e com procura cada vez maior.

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Donzela-azul fotografada nos corais das Praias dos Carneiros.

Apesar do alto fluxo turístico, o Rio Ariquindá, que desemboca exatamente entre as praias de Carneiros e Guadalupe, está entre os menos poluídos do estado, auxiliando no equilíbrio do ecossistema marinho local. Dos Carneiros por sinal, conseguimos belas imagens do “outro lado”, da menos badalada Guadalupe. Já perto de nosso retorno, nos deparamos com uma cena já não tão inusitada no litoral sul pernambucano, com a realização de um casamento nas imediações da Capela de São Benedito, construção do século XVII e que vem sendo cenário de alguns casórios mais abastados das famílias pernambucanas.

Os preços dos Carneiros são um entrave para que muitos possam visitar a Praia. Seus acessos privados garantem preços altos que os empreendedores costumam cobrar para hospedagem ou alimentação. Quem quiser economizar, mas sem deixar de conhecer a famosa praia, o melhor a fazer ainda é adentrar pelo acesso público ao lado do Hotel Marinas e dar uma boa caminhada até a foz do Rio Ariquindá (uma hora de caminhada para pessoas dispostas), percorrendo assim toda a extensão de Carneiros, deixando pra se abastecer na vizinha Praia de Tamandaré, que possui preços mais populares em muitos dos serviços.

Uma coisa não se pode negar, o marketing em Carneiros vem sendo bem executado e o Governo tem ajudado sobremaneira o mercado local a se expandir de forma eficiente, uma vez que outras praias da APA não deixam em nada a desejar em beleza em relação a Carneiros, mas possuem uma procura consideravelmente inferior por parte de turistas.

Encontrar aves marinhas era outro grande objetivo de nossa estada nas praias pernambucanas, mas confesso que não fomos tão felizes neste quesito, com as fotos de sucesso se limitando a alguns tipos de andorinhas encontradas com certa facilidade no Brasil.

Com o término de nossa visita à APA, fechamos os trabalhos de campo dos dois primeiros livros da Coleção, mas em breve nos encontramos aqui no portal da Panorama Cultural, desta vez com o lançamento do blog do Expedição Piauí, terceiro livro da série.

A previsão de lançamento nos passada pela Panorama Cultural para o Expedição Pernambuco é para o mês de dezembro. Não deixem de visitar o site da empresa pois em breve estaremos divulgando as datas dos diversos eventos de lançamento.

O livro pernambucano foi uma jornada longa e enriquecedora que estreitou os laços de amizades com pessoas fantásticas que nos ajudaram e ajudam a consolidar a Coleção Ecoexpedições, principalmente com meu “irmão europeu” Bart van Dorp, que apesar de ter perdido as últimas viagens do projeto em virtude de seu retorno ao país natal, nos agraciou com seu talento em praticamente todo o projeto.

Estreitou também laços com diversos amigos que cruzaram nossos verdes caminhos. Meus sinceros agradecimentos a todos os produtores locais e guias que nos ajudaram em cada uma das UC´s, aos parceiros e patrocinadores desta empreitada. Vou evitar citar nomes porque seriam centenas de pessoas que ajudaram o projeto a se consolidar e certamente terminaríamos esquecendo de citar alguém.

Agradecimento também mais que especial à Panorama Cultural e a todos que cuidam do “back office” do projeto, permitindo que a gente se concentrasse tão somente nas fotografias quando estávamos em campo.

Tivemos todos: eu, Bart, fotógrafos convidados, equipe de campo, equipe de escritório, uma experiência única que virá a nos permitir a produção do primeiro retrato das unidades de conservação pernambucanas. Um marco na luta ambiental de nosso Estado.

Frente às diversas e incontáveis dificuldades que encontramos pelo caminho, Expedição Pernambuco foi a vitória dos bons de coração, de pessoas trabalhadoras e dedicadas que não esmoreceram perante tantos desafios.

Aguardamos agora ansiosamente o lançamento da obra!                            

POSTADO POR LUIZ NETTO EM 25 DE SETEMBRO DE 2015