Exu

Por Mitsy Queiroz
Fotos: Luiz Netto

A cidade de Exu está encravada na Chapada do Araripe* e o nome do município tem três possíveis origens. A primeira se refere à tribo dos indígenas chamados Ançus, que viviam nessas terras, a segunda, está relacionada à grande quantidade de colméias de forma “globosa”, da abelha “enxu” ou “inxu”, muito comum na região.
Ainda há a teoria que liga o nome da cidade à influência dos cristãos-novos, abundantes em Pernambuco na época da ocupação do Araripe e que para fugir dos tribunais religiosos se instalaram cada vez mais no interior do estado. O nome da freguesia “Aflitos do Exu” pode estar ligado a estas pessoas. Na língua nativa desses migrantes Ieshu quer dizer Jesus.

No século XVIII se iniciou a ocupação do território onde hoje é a cidade de Exu. Na sua maioria fazendas de gado, sendo os membros da família Alencar, vindos de Portugal, os pioneiros na região.

Após esta ocupação, missões jesuíticas se instalaram no local e construíram a capela de Bom Jesus dos Aflitos, contudo só em 1734 foi criada a freguesia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Exu (Fazenda Gameleira). Em virtude do isolamento e distância entre a capital e a cidade, esta se desenvolveu independente do ciclo da civilização do açúcar. Para se ter uma idéia deste isolamento, era comum quando alguém necessitava chegar à capital, seguir para Petrolina, cruzar o rio São Francisco, deslocar-se até Salvador/BA e então, após tomar um navio, chegar até Recife.

Ruínas da Igreja Jesuíta em Exu Velho

Tempos depois, buscando propiciar o seu desenvolvimento econômico e fugir dos riscos de desmoronamento, visto que a Exu velha estava situada no sopé da Serra do Araripe e quando era período de chuvas temiam com o perigo iminente, a sede teve que ser transferida, quando em 1909, a cidade de Novo Exu, já no seu atual local, ganhou autonomia de município através de um decreto estadual.

Além deste problema geológico, outras razões ligadas a divergências entre as principais famílias da região fizeram a cidade mudar de localização.

Em dias de hoje, a cidade encontra-se com aproximadamente 33.000 habitantes e vive basicamente da agropecuária, do comércio e do turismo ligado ao baião e a Luiz Gonzaga. Em meio à exuberância do relevo deste planalto, encontramos uma diversidade de fauna e flora bem peculiares, contudo, o encantamento de estar na terra do “Rei do Baião”, ver, respirar e sentir a historia de sua música, em viva realidade, é fato que não deixa de emocionar.

* A APA da Chapada do Araripe está no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.