Os Índios Kapinawá

Por Mitsy Queiroz
Foto: Drica Melo

A história dos índios Kapinawá está diretamente ligada ao Parque Nacional Catimbau*, estando seus membros inclusive ocupando áreas das mesmas cidades ocupadas pelo parque: Buíque, Ibimirim e Tupanatinga.

O sistema de moradia atual é de aldeamento, sendo a maior aldeia a de nome Mina Grande, localizada em Buíque. Outras aldeias de destaque são Santa Rosa, Lagoa do Puiu, Quiridalho, Maniçoba, entre outras.

O toré, dança ligada às tradições religiosas indígenas, é o principal traço original preservado da cultura e costuma ser dançado por homens, mulheres e crianças, que formam um grupo compacto circular que gira ao ritmo marcado por maracás e pelas fortes pisadas no chão. A dança também costuma ser acompanhada por gritos e vozes dos participantes. Além do toré, o samba de coco, ritmo tipicamente africano e ligado aos escravos, também é apreciado nas aldeias.

 Índios da Aldeia Maniçoba dançam o Toré.

Apesar do toré representar a religiosidade indígena tradicional, os Kapinawá sofreram sincretismo com a doutrina católica ao longo dos séculos de convivência com o homem branco. São Sebastião findou por se tornar o santo protetor da aldeia, tendo inclusive uma igreja erguida em seu nome que anualmente recebe uma festa no mês de janeiro.

Hoje, com sua cultura fundida a elementos do homem branco e do negro, os índios não apresentam um idioma próprio, sendo o português a única língua falada nas aldeias.

Já em termos de economia, as atividades dos núcleos indígenas se concentram na agricultura e no artesanato de palha, principais fontes de renda das famílias.

Apesar de hoje viverem de forma estável no sertão de Pernambuco, os índios tiveram uma história de luta, especialmente no século passado, quando primeiramente tiveram que lutar contra jagunços de grandes fazendeiros da cidade de Buíque, guerra que deixou muitas baixas do lado indígena.

Depois tiveram que simplesmente lutar pra serem reconhecidos como indígenas pela FUNAI, fato que começou a ser discutido com mais ênfase a partir da visita da socióloga Dolores Pierson, na década de 80, que solicitou a formação de um grupo de estudo a respeito do tema. Neste período, índios e fazendeiros ainda travavam uma verdadeira guerra na região.

Do lado dos que defendiam o não reconhecimento da etnia, o principal motivo alegado era a alta taxa de miscigenação dos remanescentes indígenas, tendo inclusive alguns relatórios da FUNAI alegado que “inexistiam traços culturais indígenas”.

O parecer favorável ao reconhecimento étnico veio com o relatório da antropóloga Maria Rosário Carvalho, da UFBA. Iniciou-se então um longo e penoso processo de demarcação de terras, havendo algumas divergências inclusive entre as próprias aldeias.

Hoje, apesar da situação ser bem mais calma e tranquila, ainda há núcleos Kapinawá que reivindicam a revisão dos limites da terra indígena. Relatórios da FUNAI de 2002 apontavam que das 147 famílias da tribo da região, quase um terço destas vivia dentro dos limites do Parque Nacional Catimbau.

* O Parque Nacional Catimbau está no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.