Projeto Golfinho Rotador

Por Mitsy Queiroz


O Projeto Golfinho Rotador (PGR) teve sua origem na década de 90 no Centro Golfinho Rotador, ONG criada em Fernando de Noronha*, que posteriormente se uniu ao Centro de Mamíferos Aquáticos, do ICMBio, passando a contar com patrocínio oficial da Petrobrás.

A entidade destina-se ao estudo e proteção no Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha da espécie Stenella longirostris, popularmente conhecido por golfinho-rotador**, em alusão às atividades aéreas que o caracterizam chegando em alguns momento a executar até sete rotações em torno de seu próprio eixo.

O projeto vem atuando em dois grandes pilares: o estudo da espécie e a educação ambiental.

Os estudos têm por base as observações realizadas em mergulhos livres dentro da Baía dos Golfinhos, bem como do topo do paredão localizado nesta mesma Baía, numa área conhecida como Mirante dos Golfinhos. Todos os dias por volta das 5 horas da manhã é possível registrar algumas centenas deles chegando ao local. A interação dos animais com o turismo náutico e com outras espécies como tubarões, atuns e baleia-jubarte também são objetos de estudos. Nos mergulhos livres os animais são fotografados e filmados para catalogação e individualização em função do sexo, classe etária e marcas naturais.

Os trabalhos educacionais do projeto envolvem a conscientização da comunidade noronhense, a capacitação de adolescentes ilhéus para trabalhar no ecoturismo e observação dos animais, além de atividades com o próprio turista que pode visitar os postos de observação. O acesso ao mirante é feito por uma trilha de 1km a partir do estacionamento da vizinha Baía do Sancho e de seu topo além dos golfinhos é possível também observar uma série de aves marinhas e diversos ninhos. Na parte da manhã, quando os animais comumente chegam à Baía, o turista tem acesso a pequenas palestras dos biólogos do projeto que monitoram a contagem dos indivíduos diariamente. Esta etapa do estudo visa buscar correlações entre a quantidade de golfinhos e o tempo de permanência com fatores ambientais e climáticos como a pluviosidade, a direção do vento, agitação do mar, o período do ano e também com fatores antrópicos, como a quantidade de barcos nas redondezas.

Mais recentemente o projeto foi uma das entidades fundadoras da Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos no Nordeste, que monitora encalhes e avistamentos de diversas espécies de mamíferos, sendo o PGR o responsável por estas estatísticas no Arquipélago.

Falando um pouco da espécie, trata-se de um animal tipicamente tropical e que corresponde hoje à terceira espécie mais popular do planeta. Os saltos característicos são utilizados como uma espécie de comunicação entre os indivíduos que refletem estado de alerta, deslocamento e coesão. A comunicação dos rotadores é bastante desenvolvida e complexa, podendo ocorrer também através de sons, silvos com tons puros e assobios altos.

O comportamento sexual é extremamente polígamo, com a fêmea copulando com vários machos seguidamente numa mesma relação sexual e com a atividade ocorrendo muitas vezes sem fins reprodutivos, apenas para alcançar prazer afetivo.

Esse tipo de relação finda por caracterizar toda a estrutura social, uma vez que não existe a figura paterna, ficando o filhote ligado exclusivamente à mãe durante a infância.

Os animais chegam a comer 5% de seu peso a cada 24 horas, se alimentando basicamente de lulas, camarões e alguns tipos de peixes, havendo cooperação na captura das presas e também para expulsar ameaças e concorrentes, como os tubarões-tigre e o tubarão bico-fino.

Para conhecer melhor o projeto acesse www.golfinhorotador.org.br.

 

*O Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha está no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.

** Fotos da espécie em liberdade em Fernando de Noronha estão nas páginas do livro Expedição Pernambuco – O Leão do Norte.