Recife             

Por Mitsy Queiroz
Foto: Luiz Netto

O grande desafio das grandes cidades é como se desenvolver sem comprometer ainda mais os ecossistemas já alterados em virtude de seu crescimento, além de recuperar áreas degradadas. Esse desafio é potencializado em cidades litorâneas onde no passado foram dizimados ambientes frágeis como os manguezais, muito susceptíveis a mudanças e de difícil recuperação.

Este é o exato caso de Recife, uma metrópole brasileira que para os ativistas mais exaltados é um “grande aterramento”, uma vez que muitas áreas da cidade se situam inclusive abaixo do nível do mar e os mangues que dominavam 100% de sua paisagem litorânea no passado, hoje se limitam às margens dos rios Capibaribe e Beberibe, que cortam a cidade conhecida como a “Veneza Brasileira”. 


A Avenida Boa Viagem, hoje zona nobre, no passado fora um grande manguezal.

Exageros à parte, de fato a ocupação da cidade desde sua fundação foi violenta com os manguezais, mas iniciativas louváveis foram realizadas de forma a manter ainda bolsões verdes na área da cidade e de toda sua gigantesca região metropolitana, que conta com mangues, restingas e remanescentes de mata atlântica.

Falar em verde em Recife é falar no Parque Estadual Dois Irmãos*, a mais tradicional unidade de conservação do estado, localizada no bairro de mesmo nome. Além de parque de proteção integral, o local funciona também como zoológico, sendo o mais eficiente equipamento de proteção da cidade, recebendo centenas de visitantes todas as semanas.

Além de Dois Irmãos, a cidade possui ainda áreas de proteção ambiental (APA´s) e Refúgio de Vida Silvestre (RVS´s) de jurisdição estadual ou municipal como a Mata do Engenho Uchoa**, localizada na área sul da cidade e com uma diversidade grande de fauna além de apresentar mangues e mata atlântica.

Outras áreas de proteção estaduais são a Mata de Dois Unidos**, localizada no bairro de mesmo nome, e a Mata do Engenho São João**, no bairro da Várzea, onde se localiza também o ateliê do famoso escultor Francisco Brennand.

Dos desafios da cidade do ponto de vista ambiental para as próximas décadas destacam-se a proteção das encostas dos morros, especialmente aqueles em que se encontram as comunidades menos favorecidas, evitar a subtração do mangue ainda existente, especialmente nas bacias dos rios Capibaribe e Beberibe, além de reduzir os índices de poluição das águas fluviais, ainda susceptíveis ao lançamento de esgoto e lixo.

* O Parque Estadual Dois Irmãos está no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.

** APA´s e RVS´s estaduais ou municipais não fazem parte dos livros da Série Expedição Ecomundo. Apenas as unidades federais com estas classificações compõem as páginas do livro.