Construções históricas de Fernando de Noronha (PARTE 2)

Por Mitsty Queiroz
Fotos: Luiz Netto 

Segunda parte dos EXTRAS sobre as construções históricas de Fernando de Noronha*. Conheça um pouco da Cacimba do Padre e das ricas construções da Vila dos Remédios.

Cacimba do Padre

A descoberta de uma fonte de água potável em 1888 pelo capelão do presídio, Padre Francisco Adelino de Brito Dantas, possibilitou a construção de uma cacimba com 14 metros de profundidade. Em 1946 o governo militar tentou gaseificá-la para facilidade de estoque e distribuição. A Cacimba logo deu nome à praia em que se encontra, substituindo o antigo nome “Praia da Quixaba”.


Vila dos Remédios

A Vila dos Remédios é o maior e mais tradicional núcleo urbano, hoje tombado pelo IPHAN e onde se localiza a maioria dos serviços públicos da ilha, como a administração, hospital, escolas etc.

A Vila possui ainda aparência colonial com suas ruas e ladeiras de pedras, além de pequenas casas multicores. O casarão da administração da Ilha (Palácio de São Miguel), a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios e o Forte de Nossa Senhora dos Remédios são alguns dos destaques.

A escolha no início da ocupação da ilha pelo local não foi por acaso. Nos seus arredores era fácil conseguir água potável através do Riacho Mulungu e várias nascentes existentes.

Historicamente a Vila sempre foi muito bem cuidada, mesmo antes de pertencer à União. Apenas em 1942 com a ocupação devido à segunda guerra mundial, houve um certo descuido quanto à preservação deste patrimônio histórico.


Igreja de Nossa Senhora dos Remédios

Entrada da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios.

 A Igreja construída entre 1737 e 1772 pelos portugueses é o principal templo católico no arquipélago foi o ponto central da ocupação da Ilha. A Vila começou a se desenvolver nos seus arredores. A virgem dos remédios foi tida como a padroeira do presídio em 1798.

Foi tombada pelo IPHAN em 1981 e restaurada a suas cores originais em 1998.


Forte dos Remédios

Lateral do Forte dos Remédios com vista para o Morro do Pico.


Foi por vários séculos a principal estrutura de defesa do Arquipélago, localizado em posição estratégica elevada, com vista privilegiada da Baía de Santo Antônio até à Praia da Cacimba do Padre. De todas as fortificações da Ilha era a que possuía maior alcance visual de sua costa.

Os portugueses ergueram o atual forte provavelmente em cima de ruínas de uma construção holandesa, abandonada por estes por volta de 1654. A construção portuguesa se deu 1737. A construção se localiza 45 metros acima do nível do mar e conta com mais de 6000 metros quadrados.

Séculos depois o forte abrigou presos comuns e políticos e se viu novamente ocupado por militares durante a segunda guerra mundial.


Administração da Ilha (Palácio de São Miguel)

Construído em 1948 aproveitando as bases e ruínas da antiga diretoria do presídio, o palácio atual foi erguido pelos próprios ilhéus, comandados pelo ex-preso político comunista Mariano Lucena, que teve a preocupação de deixar em seu interior pedras que remontam ao antigo prédio do presídio.

Em muitas ocasiões o palácio serviu também como residência do governador. Nele é possível encontrar diversos móveis coloniais e belas peças de arte como quadros do pintor pernambucano Wash Rodrigues e vitrais da artista Aurora Lima


A Ruas Seculares

Ao vir da única BR da Ilha em direção à Vila dos Remédios, logo o bom asfalto cede espaço pras famosas pedras “cabeça-de-nêgo”, sobrepostas e cimentadas, mas com a preocupação de facilitar o escoamento das águas das chuvas.

As vias em sua maioria foram construídas com mão-de-obra carcerária e com a introdução dos veículos automotores passou a sofrer maiores degradações.


Armazéns

Constantemente na literatura histórica sobre a Vila dos Remédios há menções a armazéns, hortas, entre outros equipamentos ligados a produção alimentícia. Ganharam destaque o armazém agrícola, que também serviu de residência para o diretor do presídio e soldados durante o período da segunda guerra mundial além de servir moradia para outros ilhéus até 1972, último ano em que se tem registro de está de pé e ainda coberto.

Foi registrado no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos e o projeto atual é restaurá-lo para transformá-lo num centro cultural.

Outro famoso armazém é o de cereais, também de grande porte e localizado logo a frente da Igreja dos Remédios. Serviu tanto pra estocar cereais quanto de garagem para o presídio. Foi restaurado nos anos 90 e hoje abriga o famoso Bar do Cachorro, onde acontece o mais famoso forró da ilha.

 * O Parque Nacional Marinho e a APA Fernando de Noronha estão no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.