Lendas do Monte Roraima

Por Jaque Pinheiro
Foto: Luiz Netto

O Monte Roraima está entre as formações geológicas mais antigas da Terra. Seu surgimento data de quando os continentes ainda não haviam se separado, há cerca de dois bilhões de anos. Naturalmente, por sua imponência, o lugar inspira inúmeras lendas e mitos.  Não faltam explicações e histórias contadas, desde que os primeiros povos habitaram a região.

Para os Macuxis – etnia indígena sul-americana, subgrupo dos Pemóns – o Monte Roraima é a morada de Makunaima, uma entidade sagrada. Segundo uma das variações do mito, um lago cristalino, que existe no topo do Monte, era expectador do triste amor entre o Sol e a Lua. Por motivos óbvios, nunca os dois apaixonados conseguiam se encontrar para vivenciar aquele amor. Quando o Sol subia no horizonte, a lua descia para se pôr. Por milhões e milhões de anos foi assim. Até que um dia, a natureza preparou um eclipse para que os dois se encontrassem finalmente. Makunaima foi gerado no topo do monte durante um eclipse, quando raios dourados do Sol refletiram em um lago com os raios prateados da Lua. Makunaima cresceu forte e tornou-se um índio guerreiro. Guardião do monte, faz o tempo nublar e chover se alguém gritar em seu topo, pois lá repousam os espíritos dos pajés. Quando um deles morre, seu espírito penetra na terra e se transforma em cristal.

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Monte Roraima – fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana Inglesa.

Outra variação mítica, conta que Makunaima teria nascido da união entre o Sol e uma mulher feita de barro. O rebento, perambulava pela terra à procura do pai, que havia sido raptado pelos Mawari – espíritos maus que habitam o interior das serras. Makunaima encontra e liberta o pai cativo, que sobe ao céu, abandonando o filho. Makunaima permanece na terra e conta com a ajuda de alguns animais para encontrar comida. Esses animais mostram-lhe a “árvore do mundo”, que produzia todos os tipos de frutas. Por pura avidez, Makunaima acaba derrubando a árvore sagrada. Do tronco cortado, jorrou a água que provocou uma grande inundação.

Já para os alguns índios Pemon, da Venezuela, o Monte Roraima é a “Mãe das Águas”, lugar de nascentes de rios e grandes cachoeiras. Para eles, se a água é o sangue do planeta, então o Monte Roraima é o coração. Alí estão as nascentes dos rios Arapobo, Cotingo, Waruma e Paikwa, que irão desembocar nas bacias do Orinoco, Amazonas e Esequibo.

O Monte Roraima fica no território do  Parque Nacional Canaima*, fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana Inglesa.

 


* O Parque Nacional Canaima estará no livro fotográfico Expedição Venezuela – La Tierra de Gracia. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.