Exu Velho

Por Augusto Cataldi
Foto: Luiz Netto

Toda cidade guarda suas histórias. Em Pernambuco, estado que respira mudanças a cada século, não poderia ser diferente. Em cada quilômetro que liga o litoral ao interior existe resquícios de fatos que marcam os registros da formação do estado. No sopé da Chapada do Araripe*, estão localizadas as ruínas da antiga cidade de Exu – hoje chamada de Exu Velho. A primeira formação do município foi toda construída ao redor da igreja de São Bom Jesus da Gameleira, concluída em 1696 pelos Jesuítas que vieram para o Brasil. A maioria dos representantes da ordem que passaram pela cidade – aproximadamente 15, entre eles o Doutrinador Frei Venâncio de Santa Bárbara Lacerda e Frei Carlos Maria de Ferralha – eram oriundos da Matriz da Penha, localizada em Olinda, Região Metropolitana do Recife.

Segundo documentos que estão sob a salvaguarda dos órgãos competentes do Governo Estadual, a cidade era composta por 3 ruas, onde se localizava a câmara municipal, a prefeitura da cidade e a Igreja de São Bom Jesus da Gameleira. Para a construção da cidade, foi utilizada mão de obra escrava e também de índios da tribo Ançu, ancestrais na região da Gameleira.

 O destaque das construções antigas é, sem dúvida, a igreja. E vai muito além da imponência. Na capela de Santo Cristo – como era chamada – foi proclamada, por Luiz Pereira Caiçara, a adesão dos povos do sertão à Revolução Pernambucana de 1817. Os registros também mostram que Bárbara Pereira de Alencar, irmã de Luiz Pereira Caiçara e única mulher a aderir ao movimento, foi a primeira presa política do país. Luiz Pereira era pai de Guálter Martiniano de Alencar Araripe, o primeiro e único Barão de Exu. Foi de dentro das paredes da capela que partiu todo trabalho de divulgação da revolução no sertão de Pernambuco e também para o Ceará, através de Tristão Gonçalvez de Alencar, que foi governador do estado do Ceará.

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Ruínas da antiga igreja jesuíta do Exu Velho.

Mas ainda houve muita divergência até a decisão final do terreno que alicerçaria a Nova Exu. O Padre João Batista de Holanda optou pela mudança para a Fazenda Lagoa dos Cavalos, enquanto a família Alencar, detentora da maior quantidade de terras na região, queria que a cidade permanecesse onde ela foi concebida de início, também por questões de praticidade, pois todas as edificações principais da cidade já estavam construídas – igreja, prefeitura, câmara. A cidade ficou situada na região Gameleira até o ano de 1895, quando então foi transferida para a antiga Fazenda Lagoa dos Cavalos, atual localização.

* A APA Chapada do Araripe e  está no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.