Fazenda Saco

Por Augusto Cataldi
Fotos: Luiz Netto
 
A história da Fazenda Saco tem início quando foi levantada a primeira parede – ainda de terra – para a construção do Açude Saco. Até então, o proprietário da terra era o Senhor Agostinho, bisavô do ex-governador de pernambuco Agamenon Magalhães. 
 
Já em 1930, o Coronel Cornélio Soares, um parente da família Magalhães, vende a fazenda, cuja área corresponde a 3200 ha, ao estado de Pernambuco. 
 
Entre os maiores atrativos do local está o açude, que é um resultado do barramento do Riacho do Medéia, com nascente na Serra do Triunfo drenando metade da água do município e grande parte de Santa Cruz da Baixa Verde. 
 
Na mesma época da venda do terreno e da construção da primeira parede do açude, o governador Estácio Coimbra, em parceria com a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (Infocs) – atual Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) – possibilitou a construção do grande paredão de pedra e cal (que substituiu o primeiro feito de  terra). Para a execução da obra, uma grande área de caatinga foi derrubada para a obtenção de um volume de água maior – estabelecido na cora máxima do reservatório – assim atingindo um espelho d’água de 5 km², que atende todas as demandas de abastecimento da comunidade e também o peixamento no açude.
 
IMG_9283
Anoitecer da Fazenda Saco, uma das mais importantes instituições de pesquisa do nordeste brasileiro.
 
Na margem esquerda do açude, denominada Haras, constitui hoje um assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Na margem direita, as terras são divididas em 10 áreas conhecidas como Barragens. São elas: Trinta e Sete, Guiné, Vila, Pedra Branca, Cumbuco, Piau, Mandaçaia, Paus-Brancos, Xique-xique e Pimenteira.
 
Há no local, ainda, uma estação de piscicultura do IPA, voltada exclusivamente para pesquisa, que foi construída no ano de 1980, muito embora a atividade de peixamento do açude já fora inserida no local em 1975. Na localidade, a Mata da Pimenteira – que batiza o Parque Estadual Mata da Pimenteira* –  é um outro destaque. Formada basicamente por espécies nativas da caatinga, a Pimenteira recebe esse nome por conta de um tipo de pimenta nativa da região. Segundo funcionários do IPA, a Mata nunca foi completamente desmatada, apesar de já ter sido utilizada como área de pastoreio. Nas décadas de 1980/90 foi realizado um plantio de mudas arbustivas nativas da caatinga na área onde hoje se localiza o Parque.
 
Nos últimos anos, grandes centros universitários e de pesquisas utilizaram a Fazenda Saco como mote de estudos a cerca da caatinga e da fauna e flora dessa região, com destaque para o grande campus da Universidade Federal Rural de Pernambuco, que instaurou seu primeiro campus no sertão com cursos importantes para a região, tais como economia, zootecnia, agronomia, engenharia de pesca, entre outros, aproveitando-se todo o legado da estação de pesquisas do IPA na Fazenda Saco e tendo o Parque Estadual da Mata da Pimenteira como grande laboratório ao ar livre. A oficialização da Pimenteira em Parque, se deu em 2012, poucos anos após a chegada da UFRPE à Serra Talhada.
 
*O Parque Estadual Mata da Pimenteira está no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.