Filmes da Panorama Cultural e Coletivo Fulni-ô selecionados para mostra na UFPRE

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Três obras da parceria da Panorama Cultural com o Coletivo Fulni-ô de cinema foram selecionadas para a II Mostra de Cinema Indígena da UFPRE, que acontecerá nas cidades de Serra Talhada e Triunfo. Alguns dos filmes desta parceria já haviam participado da primeira edição do evento.

Desta vez integram a programação os curtas Ihiato, Tedyasese e Fea Tothdoa, todas obras do diretor Elvis Ferreira, um das lideranças indígenas do Coletivo.

A seguir, texto na íntegra de apresentação do evento.

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Por Tarisson Nawa
tarisson-ccs@ufrpe.br

 

A Mostra de Cinema indígena será realizada nas cidades de Triunfo e Serra Talhada no período de 09 a 12 de abril através de uma parceria entre o grupo de estudos e pesquisas MACONDO, a UFRPE e o SESC. As exibições têm início no Cineteatro Guarany nos dias 09 e 10/04 e depois seguem para UAST/UFRPE, com sessões e debates nos dias 11 e 12/04, à noite, no Auditório, aberto à comunidade interna e externa à universidade.

Durante os quatro dias de evento os participantes terão a oportunidade de entrar em contato com a produção cinematográfica indígena e dialogar com seus realizadores. As instituições parceiras acreditam que atividades desta natureza podem transformar realidades e percepções de mundo. Os organizadores salientam a chance de povoar a sociedade não-indígena com olhares, saberes, sons e imaginários da mata, por meio de uma arte que vai além do entretenimento.

Paula Santana, coordenadora do evento, afirma que a mostra representa para a UFRPE uma valorização dos saberes e conhecimentos tradicionais dos povos e comunidades indígenas. “a academia foi por muito tempo esse espaço de negação de identidades dissidentes. A indigeneidade brasileira acabou sendo relegada a um lugar idílico, romântico, utópico e jamais poderia chegar a academia”, destaca.

Ela ressalta ainda o movimento de multiculturalidade, transculturação e interculturalidade promovido nas universidade entre 2003 a 2014, que radicalizou a abertura da produção de conhecimento para outras formas de saber, o que levou os indígenas a ocuparem a Instituições de Ensino Superior.

O cinema indígena, neste movimento, vem provocar reflexões e debates sobre democracia, identidade, reconhecimento e, por isso, torna-se um valoroso estímulo para o desenvolvimento do pensamento crítico sobre a realidade de povos e comunidades tradicionais, frisam os organizadores.

Na sua segunda edição, o evento traz novas parcerias firmadas a partir da visibilidade positiva que a primeira mostra promoveu. A docente destaca o apoio do SESC – Triunfo e Teatro Guarany. “Nós vamos ganhar outros espaços também”, reforça a coordenadora ao tratar das possibilidade de ampliação que o evento pode alavancar.

A II Mostra de cinema indígena é uma grande oportunidade para acessar produções que não possuem muitos incentivos para a circulação e, sobretudo, apresenta-se para o público como evento democrático de fruição e interação nos Sertões do Pajeú.

O protagonismo indígena no audiovisual

Uma das atrações para a Mostra será o diálogo com Graci Guarani. A indígena do povo Guarani Kaiowá fez parte dos debates da última edição. Segundo ela, a presença indígena na produção, edição e circulação dos produtos audiovisuais levanta a questão da autonomização dos corpos nativos e a propagação de uma narrativa descolonizadora.  “Principalmente pra mim, como mulher indígena, é um ato de resistência; é um ato de levar a nossa visibilidade através das grandes telas”, acrescenta a comunicadora e cineasta.

A UFRPE é a primeira universidade que institucionaliza um evento desse tipo. A II Mostra de Cinema Indígena faz parte do calendário da instituição. Questionada sobre a importância da universidade no debate sobre a produção audiovisual de sujeitos subalternizados, Graci destaca que a universidade surge como aliado à causa dos povos nativos. “A universidade tem um papel importante no processo audiovisual, porque ela levanta as discussões em torno de um pensamento mais orgânico e crítico sobre o ser indígena. A Mostra fortalece muito a nossa caminhada e a nossa luta”, reforça a indígena, ao levantar a possibilidade de agregar outros espaços para além da universidade.

 

Saldos da primeira edição

A realização da I Mostra de Cinema Indígena foi uma experiência de luta e resistência, na qual cineastas de diversas etnias apresentaram não só as suas produções audiovisuais ao público presente, mas também buscaram contribuir na superação de preconceitos e na busca pela garantia dos direitos das populações indígenas e povos tradicionais brasileiros. Realizada na Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST), nos dias 14 e 15 de dezembro, o encontro foi uma oportunidade de encontro e diálogo entre a comunidade universitária e importantes etnias brasileiras. 

De acordo com informações dos realizadores, durante a promoção da primeira Mostra de Cinema Indígena foram contabilizadas uma movimentação de 500 pessoas por dia. Os corredores e espaços da UAST/UFRPE foram espaços para trocas entre professores e alunos da instituição, das outras IES locais e de personalidades de outras regiões do país. A fluidez da primeira edição foi caracterizado por Paula Santana, organizadora do evento, como um “processo de sinergia intensa”.

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