Fotos, imprevistos e hostilidades na Mata do Zumbi


O Parque Estadual Mata do Zumbi é “vizinho” do Duas Lagoas, unidade que visitamos na última parada de documentação do projeto Expedição Pernambuco.

Localizado próximo a áreas densamente povoadas, a área também entrou nas cotas de compensação ambiental do Complexo Portuário e apresenta, a priori, ainda mais pressão dos povoados vizinhos que o Duas Lagoas.

Já esperávamos encontrar uma mata com as mesmas características do Duas Lagoas e mais uma vez contamos com o grande apoio da Cipoma e dos Inspetores do Porto que nos acompanharam ao longo de todo o trajeto. A Cipoma por sinal, tem aproveitado nossa estada nas unidades pra fazer algumas avaliações na região, apreensão e soltura de aves, entre outras ações.

O clima louco deste final do ano que tem postergado o fim do “inverno” (pra quem é de fora do Nordeste, leia-se “chuva”), nos agraciou com mais uma bela pancada de chuvas durante nosso período de documentação, o que como sempre dificulta ainda mais os avistamentos, ainda mais em se tratando de uma área tão pressionada como a Mata do Zumbi.

Assim como no Parque Estadual Duas Lagoas, não estava claro onde eram os limites da reserva. Estudando a imagem no Google Earth, cruzando com as coordenadas limítrofes da Parque e chegamos a conclusão de que a principal ameaça é a invasão do homem no lado leste, o que nos leva a perguntar como estará esta imagem daqui a vinte anos. Se levarmos em consideração que até bem pouco tempo sequer havia regulamentação do Parque nesta região, nos deixa a esperança que as coisas irão melhorar pros próximos anos.

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A parte leste do Parque e a que tem sofrido mais pressão das comunidades vizinhas.

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Do ponto mais alto da Mata do Zumbi, é possível avistar parte do Complexo Portuário de Suape. 

Os períodos matinais foram bem mais proveitosos enquanto lá estivemos, principalmente pelo sol ameno. A famosa Lagoa do Zumbi, que dá nome à Reserva, a visitamos no primeiro dia no fim da tarde. Fica numa área um pouco mais difícil em termos de acesso e com vegetação mais fechada o que desgastou um pouco nossos colegas do Porto menos habituados a longas caminhadas.

Até o momento no projeto, estamos tendo viagens de documentações sempre proveitosas e de muita iteratividade com as comunidades locais, contando com grande apoio, com as pessoas perguntando sobre o projeto, sobre quando sai o livro, entre outras coisas, mas esta calmaria foi um pouco quebrada aqui na Mata do Zumbi, que entra pro currículo como sendo o primeiro lugar de maiores hostilidades.

A Reserva claramente tem trechos internos de ocupações irregulares e nos ver com câmeras e com a Cipoma dentro da área da mata, nos “brindou” com algumas pequenas ameaças. Nada sério é verdade, por mais que explicássemos que estávamos em um projeto ambiental, ninguém se convenceu que não seríamos “fiscais do governo” pra desapropriar suas casas.

Quando recebi o convite da Panorama Cultural pra integrar a equipe do projeto, já haviam me posicionado que algumas unidades de conservação, especialmente da região metropolitana, seguiríamos com escolta armada pra termos tranquilidade de desenvolver o trabalho. Claro que me soava um pouco forte, nunca havia trabalhado desta maneira, e até o momento mesmo nos locais como o Açude do Prata, em Dois Irmão, que havia um certo histórico de ocorrências, foi a primeira vez que percebi que a escolta realmente se fizera necessária.

Pelo menos no momento, não recomendamos a visita desacompanhada à Mata do Zumbi, mas com a certeza que com os trabalhos empreitados pelas entidades ambientais do Estado e do Porto de Suape, em breve o cenário tenderá a mudar. A oficialização da área do Parque sem dúvidas foi o primeiro grande passo neste sentido.

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A Lagoa do Zumbi, que dá nome ao Parque. 

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Integrantes da Cipoma e do Porto de Suape que se revezaram em nos acompanhar durante os dias de trabalho na Mata do Zumbi.

Bom, mas falando do que interessa, obviamente a Mata do Zumbi não é o melhor dos locais pra se avistar grandes exemplares da fauna da Mata Atlântica pernambucana. Por hora, as aves tropicais e os sempre presentes saguis, são o que mais despertam a atenção dos visitantes. A região apresenta claramente trechos de vegetação secundária, onde a mata luta pra recuperar trechos desmatados no passado e essa vegetação insipiente é bem o retrato atual da região da Zumbi.

 Daqui partimos para a Estação Ecológica Bita e Utinga, última parada do projeto pelas unidades do Cabo de Santo Agostinho. Nossos agradecimentos ao inspetores do Porto de Suape Eduardo, Rodolfo e José, que nos acompanharam nestes dias que por lá estivemos, além do Sargento Tony, do Cabo Felipe e do Soldado Bernard, integrantes da Cipoma, companhia ambiental da Polícia Militar de Pernambuco, pelo excelente apoio que nos prestaram até o momento.


POSTADO POR BART VAN DORP EM 29 DE DEZEMBRO 2014