Fronteiras

Por Fred França
Foto: Luiz Netto

Fronteiras é um dos municípios mais antigos do sudeste piauiense, área onde se encontra parte da APA da Chapada do Araripe* dentro do estado. Sua origem está ligada ainda ao período da monarquia brasileira, com a ocupação da região da Fazenda Lagoa do Rato, por parte de descendentes de portugueses, Manoel Pinto de Meireles, sua esposa Rita Alves dos Reis e sua família, composta por dez filhos, que ocuparam a região à época concedida diretamente pelo Presidente da Província do Piauí, com capital no município de Oeiras, centro econômico da região nos séculos XVIII e XIX.

Os descendentes do casal permaneceram na fazenda até o início do século XX, passando a localidade ser conhecida popularmente apenas como “Rato”, sendo em 1907 erguida uma capela, batizada de Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Em seguida, o nome da capela findou por batizar o local por um nome mais agradável, ficando conhecido no sudeste do Piauí apenas por Socorro, então pertencente ainda ao município de Patrocínio.

A independência veio em 1935, mas em virtude de uma lei nacional que impedia que municípios brasileiros tivessem o mesmo nome, por já haver uma outra cidade chamada Socorro em território nacional, passou a se chamar Fronteiras, em referência a sua posição estratégica próximo à divisa com Pernambuco e Ceará, não por acaso, os três estados em que a Chapada do Araripe se espalha e onde é possível encontrar muito da biodiversidade da caatinga brasileira.

Na década de 90, com o surgimento de diversos pequenos municípios na região do Araripe piauiense, Fronteiras perdeu parte de seu território com a emancipação de Caldeirão Grande do Piauí, deixando o município com as dimensões atuais de 775 quilômetros quadrados, quase todos dentro da Chapada do Araripe.

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A APA da Chapada do Araripe é uma região rica em biodiversidade. 

Com população atual estimada em 11.300 habitantes, o município apresenta um IDH superior a seus vizinhos, atingindo 0,619, relativamente alto para os padrões do sertão brasileiro e um PIB per capita superior a R$ 16.000,00, igualmente alto não só pros padrões sertanejos, como em relação a todo estado, com um número próximo ao da capital, Teresina, que gira em torno dos R$ 18 mil.

Parte da explicação para esta situação econômica mais favorável se relaciona com as indústrias implantadas no município, com destaque para fábrica da Cimentos Nassau, responsável por empregar boa parte da população local em empregos diretos e indiretos.

O comercio e agronegócio findam por compor as principais receitas do município, com destaque para a produção de ovinos, com um plantel de quase 20 mil cabeças. Na agricultura, a grande maioria das lavouras são temporárias, havendo poucas áreas irrigadas, destacando-se as três produções mais tradicionais do sertão brasileiro: feijão, milho e mandioca.

*A APA Chapada do Araripe estará no livro fotográfico Expedição Piauí –O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.