Goiana

Por Karina Morais e Fred França
Foto: Bart van Dorp e Fred França

Goiana é um município pernambucano situado na região Nordeste do estado. Sua população estimada beira os 80 mil habitantes, possuindo assim a segunda maior população da Zona da Mata e a maior da Mata Norte. 

Está localizado na Bacia Hidrográfica do Rio Goiana por onde se espalha a Reserva Extrativista Acaú-Goiana*, única RESEX pernambucana e que, como o próprio nome já diz, também abarca áreas do município paraibano vizinho, Acaú.

 

Captura de Tela 2015-06-13 às 15.24.45

Reserva Extrativista Acaú-Goiana, a única RESEX de Pernabuco.

Se divide em três distritos: Sede, Pontas de Pedras e o histórico Distrito de Tejucupapo, apresentando o quinto maior PIB fora da região metropolitana do Recife.

A história da cidade está muito ligada aos engenhos da região. Alguns deles ainda existentes, mas com outras finalidades, como o antigo Engenho Massaranduba do Norte, que hoje dá lugar a uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, a Reserva Aparauá, que recebe corriqueiramente grupos de visitantes. A origem mais provável do nome Goiana é que venha da palavra em tupi-guarani “Guyanna”, que significa “terra de muitas águas”.

Recentemente, Goiana ganhou impulsos industriais com a chegada da fábrica da FIAT, a primeira montadora de carros a se instalar em Pernambuco, e que trouxe consigo dezenas de outras empresas fornecedoras de materiais para a indústria automobilística. Sua localização geográfica é privilegiada, a menos de 70 km de duas capitais: Recife e João Pessoa, por consequência próxima dos portos do Recife e Suape, em Pernambuco, e de Cabedelo, na Paraíba. Está igualmente próxima dos aeroportos do Recife, João Pessoa e Campina Grande, o que torna toda sua região atrativa para investimentos do setor industrial, que já conta com indústrias na área de cimento, embalagens de papelão, açúcar, cal, algodão, móveis e artefatos de fibra de coco.

O município também foi escolhido pelo governo estadual para sediar o Polo Farmaco-químico e de Biotecnologia de Pernambuco, cuja administração foi delegada à AD Diper, ocupando uma área de 345,370 hectares a aproximadamente 4 km do centro urbano da cidade, às margens da BR-101. 

Toda a Goiana se encontra em domínios de Mata Atlântica e de manguezais, mas devido à exploração da monocultura da cana-de-açúcar nos períodos colonial e imperial unido com o recente crescimento das cidades, sobraram poucas áreas de sua vegetação nativa, tornando ainda mais proeminente a necessidade de proteção da RESEX Acaú-Goiana, que além das áreas de manguezais e de mata, protege também uma considerável área marinha.

A população goianense é formada principalmente por descendentes de povos indígenas, colonos portugueses, escravos africanos e diversos grupos de imigrantes que se estabeleceram no Brasil e em Pernambuco, sobretudo entre os anos de 1820 e de 1970, principalmente holandeses, destacando-se na história do município, a histórica batalha das Heroínas do Tejucupapo, onde consta a história que a Vila onde hoje se encontra o Distrito de mesmo nome, foi invadida por holandeses que se encontravam na Ilha de Itamaracá e escolheram um “dia de feira” onde supostamente os homens sairiam para vender seus produtos, desguarnecendo o local. Cerca de 300 holandeses sucumbiram perante a resistência liderada por quatro mulheres, que entre outras artimanhas,  usaram-se de uma mistura de água fervente com pimenta para atacar os olhos dos adversários.

194A8766

Igreja de São Lourenço de Tejucupapo.

Goiana possui, ao todo, seis praias em sua orla marítima, que conta com 18 km de extensão, sendo totalmente banhada pelo Oceano Atlântico. A praia mais frequentada de todas é a de Pontas de Pedras, onde se encontra também a Ponta do Funil, ponto mais oriental de Pernambuco. 

Seu centro histórico é considerado Patrimônio Histórico Nacional desde o ano de 1938. A cidade possui oito igrejas seculares monumentais, sem contar os prédios tombados e a arquitetura em que eles foram construídos.

*A RESEX Acaú-Goiana está no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.