“Ihiato” é o novo filme produzido pela Panorama Cultural

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Por Fred França

IHIATO - ANCIAOS REUNIDOS

 

Ihiato, no idioma Yaathe, língua materna dos Fulni-ô, quer dizer “nossos filhos” e é este o título da nova obra cinematográfica produzida em sua totalidade na própria Aldeia Fulni-ô, IHIATO – Narrativas dos Anciãos Fulni-ô com equipamentos próprios e com toda a equipe técnica indígena, sem qualquer interferência externa.

O documentário de 15 minutos é dirigido e roteirizado por Elvis Ferreira, índio que parte para o seu segundo curta-metragem, após dirigir Yoonohale, filme produzido durante o projeto “Vídeo nas Aldeias” e que marcou o início das atividades do Coletivo Fulni-ô de Cinema no ano de 2012.

A produção de “Ihiato” é de Expedito Lino e a montagem fica por conta de João Paulo Riberio, indígena responsável por esta atividade em todos os filmes já realizados pelo Coletivo.

No novo filme os indígenas vão em busca de suas raízes em um passado não muito distante, em que os conflitos de terra com os não-índios atingiram o ápice no fim do século XIX. Contando com valiosos depoimentos de vários indígenas acima dos 70 anos de idade, a viagem no tempo percorre memórias da infância e histórias contadas pelos pais destes, tendo em comum em todas as narrativas o heroísmo do Padre Alfredo Dâmaso, que se transformou num grande herói da causa indigenista Fulni-ô, que considerou os índios de Águas Belas como seus filhos, motivo que inspirou o título do filme, realçando o caráter de afetividade conquistada pelos os índios ao Padre Alfredo.

À época “batizaram” o Padre por “Klaixiwa”, nome pelo qual passou a ser chamado na Aldeia, se transformando num dos grandes responsáveis pelo reconhecimento étnico do povo do Agreste Meridional e de alguns índios do estado de Alagoas.

 

ihiato - PADRE JOAO

Estátua em homenagem ao Padre Alfredo Dâmaso.

IHIATO - José Caetano

José Caetano é um dos experientes indígenas a deixar seu depoimento no documentário.

 

Outro ponto comum em todas as narrativas são as inúmeras dificuldades vividas pelos mais velhos ao longo do século XX, dificuldades estas, ora contada com pesar nos olhos, ora com bom humor e irreverência, contrastando o caráter dos conhecimentos ancestrais existentes na transmissão oral, permitindo que as gerações atuais do povo Fulni-ô consigam enxergar o passado em sua língua materna, reforçando sua identidade étnica e cultural.