Itacuruba

Por Fred França
Fotos: Chico Rasta e Luiz Netto

Itacuruba foi uma das cidades alvo da segunda etapa de São Francisco Submerso*. O pequeno município pernambucano localiza-se bem na divisa com a Bahia, sendo possível ver, na outra margem, a cidade baiana de Rodelas.

Ambas cidades foram submersas pelo alargamento do rio São Francisco no trecho das antigas sedes, em decorrência da construção da Usina Hidroelétrica Luiz Gonzaga. O processo de deslocamento do município para a nova sede foi cercado de discussões, debates e controvérsias.

Esta região do chamado Sertão do Pajeú era dominada pelos índios Rodelas, registrados no local pelos europeus desde o século XVII, de forma que as missões jesuítas para catequizar estes indígenas foi o seu primeiro movimento de colonização deste trecho do rio São Francisco, onde hoje se encontra o Lago de Itaparica, outrora marcado pelas corredeiras e algumas cachoeiras.

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Rio São Francisco nas imediações do atual município de Itacuruba.

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Observatório astronômico implantado no município.

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Equipe de São Francisco Submerso encontrando restos de um veículo nas ruínas da antiga cidade.

A presença de missões católicas se fez presente e forte até mesmo no início do século XX, com a construção de capelas, muitas vezes reconstruídas pelas constantes cheias na região da Ilha do Sourabel.

Até a década de 1930, o então Distrito de Itacuruba pertencia ao município de Floresta, mas em decreto-lei estadual de 1938 passou a pertencer ao novo município de Belém, anteriormente conhecido por Belém de Cabrobó e que mais tarde, em 1943, viria novamente a mudar de nome, chamando-se de Jatinã, ainda com Itacuruba entre seus distritos. Jatinã mudaria de nome uma última vez, em 1953, para Belém de São Francisco, nome oficial até os dias atuais. Itacuruba viria seu desmembramento de Belém de São Francisco no ano de 1963, com o Distrito Sede constituído já no ano seguinte.

A cidade vivia socialmente e economicamente dependente do rio São Francisco, até que no final da década de 80 o município enfrentou uma grande reviravolta em sua história, com a construção da Usina Luiz Gonzaga.

A antiga sede do município foi engolida pelas águas do rio São Francisco e o processo de migração para o novo local é cercado de debates e ressentimentos até os dias de hoje.

O processo de escolha envolveu três possíveis destinos e muitos dos moradores questionam que a localização escolhida por ter ficado distante tanto do leito final do rio pós-hidroelétrica, bem como na principal rodovia do Pajeú pernambucano, a que liga os municípios de Floresta e Belém de São Francisco, deixando-a aquém dos mercados oriundos destas potencialidades.

Atualmente a cidade tem pouco mais de 4800 habitantes. Ao contrário de Petrolândia, Itacuruba não usufruiu ao longo das últimas décadas das benesses dos royalties da nova hidroelétrica e muitos dos moradores se queixaram da demora de mais de uma década que enfrentaram até receber suas indenizações.

As ruínas do antigo município permaneceu em repouso no fundo do novo leito do São Francisco, até ter suas primeiras fotos divulgadas recentemente, já pelo projeto São Francisco Submerso.

Outro destaque do município, recentemente a cidade teve inaugurado em seu território um dos mais modernos observatórios astronômicos do país.

A cidade foi escolhida após um grupo de cientistas apontar o município como um dos que possuía condições ambientais privilegiadas ao longo da maior parte do ano, com por exemplo, céu limpo e muita incidência de sol.

*A segunda etapa de São Francisco Submerso conta com apoio do Rumos Itaú Cultural