Luís Correia

Por Silvio Melo
Foto: Chico Rasta

A origem de Luis Correia, cidade litorânea hoje pertencente ao Piauí, remonta ao Povoado de Amarração, fundado no início do século XIX por pescadores que se instalaram na região. Já em 1865, a região então pertencente ao estado do Ceará, foi elevada à condição de Distrito do município de Granja e em 1874 à condição de Vila.

Luís Correia, ainda sob o nome de Amarração, teve participação decisiva na Guerra dos Balaios, entre os estados de Ceará e Piauí. Dada sua posição privilegiada, tornou-se ponto de desembarque das tropas oficias. Após a guerra a cidade passou a pertencer ao Piauí, facilitando o acesso ao mar dos piauienses. Na ocasião ocorreu uma troca entre os estados, com as cidades sertanejas de Independência e Príncipe Imperial sendo cedidas ao Ceará. Hoje os dois antigos municípios compõem a cidade cearesnse de Crateús.

Merece destaque na história o fato de amarração ter se tornado a primeira localidade piauiense a libertar seus escravos, mesmo dois anos antes da assinatura da Lei Áurea, em iniciativa do Comendador Joaquim Rodrigues da Costa. Na ocasião, o comendador liberou os 14 escravos que dispunha.

Nem só as tropas desembarcaram em Luís Correia. Seu porto passou a receber com cada vez mais frequência um grande número de embarcações, desde de pequenos barcos de pescadores locais, a grandes navios que seguiam viagem para Europa e outros países da América do Sul, o que levou as companhias de navegação a construírem armazéns e escritórios na cidade.

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A Praia da Atalaia, que em outros tempos recebia tropas de soldados, hoje recebe uma boa quantidade de turistas todo o ano.

No início do século XX, em 1911, foi assinado o decreto que estabelece Amarração como município. Em 1922 o porto e os armazéns locais ganhariam um forte suporte com a inauguração da Estrada de Ferro Central do Piauí.

A emancipação de Amarração durou 20 anos. Em 1931 a cidade passa a integrar o município de Parnaíba, que já se destacava como a principal do litoral do Piauí. Em 1935 tem finalmente seu nome alterado para Luís Correia, em homenagem ao jornalista e escritor Luís Morais Correia, nascido na cidade.

A autonomia administrativa voltaria em 1938, já com o novo nome, e assim permanecendo até os dias de hoje. Em 1995 parte da zona leste de seu território foi desmembrado, dando origem ao município de Cajueiro da Praia, localizado na divisa com o Ceará.

Hoje, a cidade, juntamente com Parnaíba, é a que mais recebe turistas em toda APA do Delta do Parnaíba*, unidade de conservação que abrange todo o litoral do estado, graças a suas paradisíacas praias como a Praia de Atalaia e a Praia do Coqueiro, além de inúmeras e belas lagoas. Parte do município de Luís Correia, a mais afastada do litoral, integra uma outra unidade de conservação, a APA da Serra da Ibiapaba*.

Assim como Cajueiro da Praia, as praias de Luís Correia são propícias para diversos esportes náuticos, principalmente o kitesurf, que conta com vários praticantes e impulsiona o turismo local. Há grande variedade de pousadas, desde as mais simples e rústicas a luxuosos resorts. O turismo é fonte de renda para boa parte dos 28 mil habitantes do município, que também se dedicam ao comércio e algumas atividades agropecuárias, como a produção de caju.

*A APA do Delta do Parnaíba e APA da Serra da Ibiapaba estarão no livro fotográfico Expedição Piauí –O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.