Megafauna da Serra da Capivara

Por Fred França
Foto: Luiz Netto

Além da visita a dezenas de sítios arqueológicos com milhares de pinturas rupestres, o visitante da Serra da Capivara* pode também conhecer um pouco os fósseis da megafauna pleistocênica que habitou na região.

O Eremotério (preguiça-gigante), espécies de tigres-dentes-de-sabre, tatus do tamanho de um fusca, mastodontes, o toxodon, espécie de rinoceronte maior que uma caminhonete, entre outros, estão entre as espécies extintas com o tempo, algumas delas inclusive coexistiram com o homem primitivo da região.

Hoje, artigos científicos, como o do piauiense, Iderlan Souza, arqueólogo nascido na região, defendem que muitas das pinturas dos sítios arqueológicos são representações pictagóricas de um grupo de animais já extintos, não sendo encontrado em outros locais da América do Sul imagens milenares de tais criaturas. Fósseis recentes de preguiça-gigante, com apenas 5000 anos, corroboram com estes estudos, que apontam para uma extinção tardia da megafauna do Piauí.

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As pinturas da Serra da Capivara podem ser o único registro da mastofauna extinta em todo o território sul-americano.

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Mandíbula de taxodon em exposição em um dos centros de visitantes do Parque Nacional da Serra da Capivara.

Muitos dos principais fósseis da Serra da Capivara vem sendo encontrados na Lagoa dos Porcos em São Lourenço do Piauí, além de outras localidades como a Toca do Gordo do Garrincho, no município de Coronel José Dias, além da Lagoa do São Vitor e Lagoa do Quari, ambas em São Raimuno Nonato.

Merece destaque inclusive a descoberta de um mamífero pré-histórico inédito e que em seu nome científico homageia a região, o Piauhytherium capivarae, também da família dos taxodontes e que ao que tudo indica se parecia mais com um hipopótamo em forma e hábitos, preferido as águas e lagoas da região. Esta nova espécie foi fruto de pesquisas da Universidade Claude Bernard-Lyon 1, da França, capitaneadas pelos pesquisadores Claude Guérin e Martine Faure, com o apoio da Fundação Museu do Homem Americano.

Acredita-se que a Serra da Capivara no passado fora um paleo-cerrado, bem diferente do bioma semiárido atual e com uma maior abundância de água, formando condições favoráveis e um grande aporte nutricional que ajudou a proliferar as espécies pleistocênicas. Acredita-se hoje que a megafauna começou a desaparecer justamente quando a paleo-cerrado passou a ser substituído pela caatinga. As espécies gigantes teriam então se encontrado com os primeiros homens que chegaram à região, que encontraram animais enormes enfraquecidos pela mudança do ambiente, o que facilitou a predação.

* O Parque Nacional da Serra da Capivara estará no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.