Na REBIO Pedra Talhada, as últimas chuvas do inverno


Maio e junho são meses de muita chuva no Recife, apesar de obviamente não ser frio como na Holanda, o inverno para os pernambucanos que moram na Zona da Mata e até no Agreste é de muita chuva -e tem ano que ela  segue ainda pelos meses seguintes até setembro.
 

Este ano não foi diferente. De Recife até Garanhuns, pegamos uma verdadeira tempestade que nos atrasou bastante. Fui com minha esposa, Conceição, que sempre nos acompanha quando possível. Luiz já havia chegado na Reserva desde o dia anterior e nos aguardava em Lagoa do Ouro, pequena cidade próxima a Garanhuns e sede oficial da Reserva Biológica Pedra Talhada, o nosso objetivo!

A Reserva, na verdade, possui duas sedes. Luiz estava hospedado na sede de Quebrangulo, no lado alagoano. O ICMBio nos deu um grande apoio ao projeto e abriu a porta de suas bases para que nos hospedássemos dentro da própria reserva.

No dia anterior, Luiz já havia rodado pela área alagoana, inclusive fotografar a bela Bica da Juliana, uma pequena cachoeira que estava com alto nível de água graças as chuvas recentes. Me deu uma baita vontade de ir lá também, mas tínhamos todas as outras áreas da Pedra Talhada pra visitar. 

Luiz apareceu em Lagoa do Ouro acompanhado do Leandro, um ex-soldado do exército que hoje trabalhada no apoio da Reserva e que foi colocado à nossa disposição pelo ICMBio para nos acompanhar durante nossa estada. Desde o início o Leandro nos mostrou que a Reserva está muito bem servida com ele.

Rodamos muito em Lagoa do Ouro pra comprar mantimentos para os próximos dias, mas como toda cidade pequena foi bem difícil encontrar lugares com nota fiscal e afins. Dessas dificuldades logísticas que nossos trabalhos sempre nos impõem. Resolvida esta situação num mercadinho local, o Luiz conhecido pela sua comilança, e que ia ficar mais dias do que eu e Conceição na Reserva, tratou de ter a certeza que de fome não iria morrer nos próximos dias e fez uma feira enorme! As casas de apoio do ICMBio na Reserva são muito bem estruturadas, com energia elétrica, chuveiros quentes, quartos, cozinhas completa, entre outras benesses.

Obviamente por ser uma Reserva voltada prioritariamente para pesquisa, não é aconselhável chegar por aqui sem avisar, as portarias possuem vigilância 24 horas e quem não tiver o ofício autorizando a entrada será prontamente barrado.

Desde o início de nosso projeto, tanto o ICMBio na esfera federal, quanto a CPRH na esfera estadual vêm demonstrando serem grandes parceiros de nossas andanças.

Pois bem, nosso segundo dia de trabalhos, o primeiro com eu e o Luiz juntos, seria no lado pernambucano, seguiríamos por uma caminhada de cerca de 10 quilômetros até um mirante de onde era possível avistar o lado alagoano, inclusive a Pedra Talhada, que dá nome à reserva.

Chuva! Muita chuva! A caminhada foi muito encharcada e ainda foi um pouco maior que o planejado, uma vez que tivemos que deixar o carro um pouco antes do local de início de caminhada, já que o dilúvio havia deixado a estrada um pouco perigosa e optamos por inserir mais alguns quilômetros na caminhada.

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Céu cinza e camisa encharcada foi a regra.

Seguimos pelo sobe e desce das trilhas da Pedra Talhada um pouco carregados. Levamos frutas e outros mantimentos para nosso almoço, que pelo nosso planejamento seria no ponto mais alto da Reserva.

De certa forma seguimos muito bem o planejado, só não contamos com as dificuldades extras, árvores caídas na noite anterior nos forçaram a improvisar novos roteiros e atravancar alguns trechos de mata fechada.

Algumas aves, anfíbios e um esquilo deram o ar da graça na trajetória. O caminho, apesar de cansativo e desgastante pela chuva, foi muito agradável, a equipe estava numa boa sintonia, abalada apenas pelo pavor da Conceição sempre que via um sapo!

São Pedro nos deu um refresco quando chegamos ao mirante, foi possível comer sem as capas de chuva e dar uma volta pelo topo com mais tranquilidade.

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Luiz e Leandro no ponto mais alto da Reserva.

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Conceição num raro momento em que a chuva nos deu uma trégua.

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Macrofotografando a Reserva.

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Quando a chuva deu uma trégua, pudemos desfruta das belezas da Pedra Talhada.

O visual das montanhas da Reserva com a névoa da chuva nos proporcionou boas imagens. O Luiz que está fazendo também o livro sobre a Venezuela havia comentado que nem no Monte Roraima tinha tomado tanto banho de chuva quanto nos dias que lá estivemos.

Eu fiquei mais um dia na Reserva e meu parceiro seguiu sozinho nos dias seguintes por lá.

Segundo me passou, nos dias seguintes a situação não mudou muita coisa, com chuvas intercaladas e raros momentos de sol. Ainda assim conseguimos resultados muito bons. Inclusive pôde acompanhar uma equipe da Universidade Federal de Alagoas que esteve na Reserva no mesmo período para estudar aves. O processo de captura deles também esteve um pouco prejudicado uma vez que sempre que chovia, tinham que desarmar as redes de captura para não machucar os animais.

A partir daqui, dou uma pausa no projeto, vou passar uns dias na Holanda, mas os trabalhos não podem parar, e Luiz segue para o Parque Nacional do Catimbau, Estação Ecológica Serra da Canoa e para a Reserva Biológica Serra Negra, todas elas unidades localizadas no Sertão de Pernambuco.

Um abraço e até a próxima!

 POSTADO POR BART VAN DORP EM 03 DE OUTUBRO DE 2014